Programação
Workshop
Como continuar a nascer - Resiliência

Com Sandra Cabral Baron
28 de fevereiro de 2015, sábado, 9h a 17h


A sua história não é o seu destino. Essa foi a ideia que me atraiu aos estudos sobre a resiliência, que se interessam pelas histórias de pessoas ou comunidades que, em meio a todas as adversidades, encontram uma linha de fuga para o destino fatal de insucesso previsto por uma cultura, um código genético ou uma verdade científica.

Nossa hipótese é que, nesses casos, é possível encontrar condições, oferecidas pela forma como o traumatismo é tratado pelo ambiente, de retomar as possibilidades de criação de novas oportunidades de viver. O que faz do trauma uma vivência insustentável não é a situação potencialmente traumática, mas o que acontece depois dela, a maneira como se pode lidar com seu impacto, com suas lembranças, os caminhos pelos quais se pode contar com a sustentação e a ajuda de outras pessoas, tornando factível o disparar de um processo de resiliência, de criação de formas mais plásticas e estimulantes de viver. Será preciso aí a instalação de dispositivos de potência relacionais: o espaço de retomada do investimento na vida, para além da sobrevivência; o retorno à relação olho no olho, a confiança de que o mundo cuida; aquilo que possibilita transformar uma violência sem sentido e sem resposta em uma reação amparada pela reinvenção dessa experiência, ainda que tudo isso não acarrete necessariamente a superação definitiva da dor, mas a possibilidade de uma convivência ou de uma confrontação com ela, num contexto em que outras oportunidades de viver o acolhimento e a alegria lhe façam contraponto.

Mais do que um processo de sublimação da dor, trata-se da transmutação da angústia em energia de criação. Por isso a arte e a cultura têm efeito fundamental nos processos de resiliência: o de construir as linhas de fuga aos efeitos imobilizadores da intensidade excessiva do trauma.

A ideia então não é a de aprender a produzir sujeitos resilientes, possuidores de uma identidade de resiliência, mas pensar as melhores estratégias de produzir marcas de resiliência, matrizes de onde se possa multiplicar a potência de agir e, assim, a coragem de continuar a nascer.

Esta é a temática que pretendemos desenvolver neste workshop, a partir de uma perspectiva informativa e crítica, utilizando metodologia interativa e vivencial.



 

 



Docente

Sandra Cabral Baron é graduada em psicologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, mestra em Educação pela Universidade Federal Fluminense e doutora em ciências e saúde coletiva (Saúde da Criança e da Mulher) pela Fundação Oswaldo Cruz. Possui formação complementar em psicologia da educação pela Université de Mons-Hainaut (BE), em estudos em etologia e resiliência pela Université Toulon-Var (FR) , em ciências da educação pela Université Sorbonne Paris V (FR), em filosofia pela Université Paris VIII Saint- Dennis (FR); Possui pós-doutorado pelo Núcleo de Estudos sobre Subjetividade do Programa de Mestrado e Doutorado em Psicologia Clínica da PUC-SP. Atualmente é professora adjunta IV, atuando nos cursos de graduação e no Programa de Mestrado e Doutorado da Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense. Coordena o Observatório Internacional Rede Resiliência. Coordenou, ao longo dos últimos 10 anos, os Ciclos internacionais Resiliência e Cultura, que colocam em interlocução pesquisadores e profissionais nacionais e internacionais de vários campos em torno da temática da resiliência, notadamente, o prof. Dr. Boris Cyrulnik.