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Narrativa de histórico da Palas Athena para seus projetos socioeducativos

A Palas Athena, fundada em 1972, é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, posteriormente declarada de utilidade pública municipal, estadual e federal. Não é subvencionada pelo governo, nem por instituições nacionais ou internacionais de qualquer natureza.

Sua missão é aprimorar a convivência humana por meio da aproximação de culturas e articulação dos saberes. Para tanto, desenvolve atividades educacionais, culturais, programas e projetos socioeducativos, sempre com recursos provindos da autogestão. A visão da Palas Athena – contribuir na geração e articulação de conhecimentos e práticas que promovam a cultura da convivência – vem fundada na filosofia de Gandhi, para o qual a violência se define como tudo aquilo que impede o desenvolvimento do pleno potencial humano.

Assim, seus fundadores – Lia Diskin e Basílio Pawlowicz – criaram programas educacionais em que filosofia, psicologia, antropologia, etologia, mitologia, história, sociologia, artes, biologia, astronomia, em sua amplitude inovadora, convergem para oferecer uma visão abrangente e sistêmica do fenômeno humano, sua condição de autonomia e interdependência, de limitação e superação, diversidade e unidade. A estes programas acorreram profissionais de várias áreas, que receberam uma formação ampla e se beneficiaram do aporte de pioneiros nas áreas do pensamento complexo e de pesquisas de ponta em diversos ramos contemporâneos da ciência.

Fruto da primeira fase da instituição são os professores que, tendo sido formados no currículo da Palas Athena, seguiram o curso de sua vida profissional nas áreas da medicina, direito, engenharia, administração e outras, enquanto, ao mesmo tempo, passaram a integrar o quadro docente da instituição na qualidade de voluntários. De fato, tal formação veio a garantir a consistência e alinhamento conceitual dos cursos criados e ministrados nos anos seguintes.

Lia Diskin e Basílio Pawlowicz, em parceria com a equipe de professores, desenvolveram cursos, grupos de estudo, seminários e projetos com foco na ética, na não violência ativa (como proposta por Gandhi), na qualificação do diálogo entre culturas, religiões e pessoas, nas novas tecnologias de convivência (diálogo, mediação, transformação de conflitos, criação de consenso, justiça restaurativa, processos circulares, comunicação não violenta, pedagogia da cooperação e outras). Eles foram frequentados por grande número de profissionais das mais variadas áreas, que passaram a se engajar em projetos de promoção e desenvolvimento social e eventualmente se tornaram parceiros da Palas Athena em programas com instituições governamentais e privadas dos setores educacionais, de saúde, assistência social, justiça, segurança, direitos humanos, em movimentos de iniciativa do diálogo inter-religioso, e ainda de responsabilidade social empresarial.

Paralelamente às atividades do Centro de Estudos, a Palas Athena Editora iniciou a publicação de textos de referência ainda não disponíveis no Brasil.

Citamos, a título de ilustração:

"Diálogo" (David Bohm), "Transcender e Transformar – uma introdução ao trabalho de conflitos" (Johan Galtung), "As Máscaras de Deus" (Joseph Campbell), "Amar e Brincar – Fundamentos Esquecidos do Humano" (Humberto Maturana e Gerda Verden Zoller), "O Caminho é a Meta – Gandhi Hoje" (Johan Galtung), "Educar para a Paz em Tempos Difíceis" (Xesús Jarez), "O Princípio da Não Violência"  e  "Não Violência na Educação" (Jean Marie Muller), entre muitos outros.

Desta forma a Palas Athena se tornou um espaço de convergência para pessoas e instituições que, procurando métodos eficazes para melhorar a convivência humana, buscavam conhecimentos capazes de alavancar mudanças e promover justiça, desenvolvimento da cidadania plena, educação para a paz e o respeito aos direitos humanos. Passou a realizar articulações dessas pessoas e organizações em projetos, oferecer assessoria para as áreas de sua competência, incubar ideias e programas, desenvolver currículos capazes de promover as mudanças requeridas.

Nada disso teria sido possível não fosse a busca constante dos cofundadores no sentido de pesquisar e aprofundar conceitos e manter contato com intelectuais de sólida formação e pioneiros em suas áreas. Nesse sentido, muitos pensadores estrangeiros foram convidados a ministrar seminários e trazer, em primeira mão, ideias e conhecimentos que teriam grande repercussão no meio acadêmico nacional. Para citar alguns: Edgar Morin, Xesús Jarez, Howard Zehr, Henri Atlan, David Adams, Marshall Rosenberg, Johan Galtung, Jean-Marie Muller, Humberto Maturana e o próprio Dalai Lama – que veio ao Brasil em 1992, 1999 2006 e 2011 – tendo suas visitas sido organizadas pela Palas Athena em todas as ocasiões.

Marco na história da instituição foi um programa na área da Educação para a Paz, chamado Valores Que Não Têm Preço. Foi realizado durante os anos de 1999 a 2007 duas vezes por mês, no formato de um seminário multidisciplinar de 16 horas/aula cada seminário, que incluía práticas interativas, lúdicas e vivências. Foi oferecido gratuitamente aos professores e outros profissionais da rede pública de ensino com o objetivo de introduzir a ética e os valores universais na educação e suas comunidades, e ajudá-los a lidar com a crescente violência no ambiente escolar. Graças a parcerias com o setor privado, foi possível treinar mais de 40.000 profissionais da Educação do município e de outras localidades do Estado de São Paulo.

Projeto semelhante foi realizado nos anos 2001 e 2002 com os profissionais da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo. Os seminários Ética do Acolhimento tinham por meta a humanização da convivência em hospitais e postos de saúde de toda a capital. Foram treinados profissionais de todos os níveis.

Os resultados, conceitos e princípios deste Programa encontram-se na publicação anexa "Acolhimento – o pensar, o fazer, o viver", editada pela Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo e a Palas Athena em 2002.


TERMOS DE PARCERIAS COM A UNESCO

Em 1999 a Associação Palas Athena firmou termo de cooperação com a UNESCO, que levou à criação do Comitê Paulista de Divulgação do Manifesto 2000. O projeto teve a duração de um ano e provocou uma grande mobilização, levando à ampliação da parceria. Com o lançamento pela UNESCO da Década para a Cultura de Paz, teve início a parceria da Palas Athena com a UNESCO para o Comitê Paulista para a Década da Cultura de Paz, que promoveu 85 fóruns mensais ao longo dos anos 2000 – 2011, abrindo o espaço de discussão em torno das 8 áreas de atuação da Cultura de Paz propostas pela UNESCO, a saber:

1) Cultura de Paz através da Educação;
2) Economia Sustentável e Desenvolvimento Social;
3) Compromisso com todos os Direitos Humanos;
4) Equidade entre os Gêneros;
5) Participação Democrática;
6) Compreensão – Tolerância – Solidariedade;
7) Comunicação Participativa e Livre Fluxo de Informações e Conhecimento e
8) Paz e Segurança Internacional.

O histórico desses fóruns e gravações em áudio se encontram no site www.comitepaz.org.br, onde também foram reunidos e traduzidos para o português os principais documentos internacionais que formam a base jurídica do movimento de Cultura de Paz no mundo, bem como textos de especialistas e outros materiais didáticos sobre o assunto.

O Comitê da Cultura de Paz continua em atividade e promove fóruns mensais no MASP – Museu de Arte de São Paulo. A trajetória desta parceria está documentada no livro Cultura de Paz: da reflexão à ação, editado pela UNESCO em parceria com o Pronasci / Ministério da Justiça e a Palas Athena, disponível para download em: http://unesdoc.unesco.org/images/0018/001899/189919por.pdf

Ainda como desdobramento da mobilização criada pelo Comitê para a Década da Cultura de Paz, a Palas Athena articulou e incubou um grupo de criação coletiva que concebeu os Conselhos Parlamentares para a Cultura de Paz (Conpaz). Consolidados os primeiros conselhos em São Paulo, a Profa. Lia Diskin passou a oferecer consultoria para sua implementação em outros estados. Estes conselhos são formados por representantes da sociedade civil, organizações de promoção social, empresários, religiosos e representantes de todos os partidos políticos. Eles atuam na promoção de políticas públicas que contribuam para a cultura de paz. Hoje estão em funcionamento os conselhos de cultura de paz na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, na Câmara Municipal de São Paulo, na Câmara Municipal de Londrina e na Câmara Municipal de Curitiba. Destacamos a recente conquista do Conpaz de Curitiba, que aprovou uma lei proibindo a comercialização de armas de brinquedo naquela cidade.

Abrindo Espaços: inclusão social e educação para o século XXI

No ano 2000, durante as comemorações do Ano Internacional da Cultura de Paz, a Representação da UNESCO no Brasil lançou o Programa Abrindo Espaços: educação e cultura para a paz. Ao abrir escolas públicas no fim de semana, combinando elementos de inclusão social e educação, essa proposta solidificou-se e é a primeira ação da UNESCO no Brasil a tornar-se política pública.
Em 2004, em função dos resultados positivos alcançados, sobretudo em relação ao fortalecimento da escola pública e à inclusão social de jovens, o governo federal, por meio do Ministério da Educação, em parceria com a UNESCO, lançou em âmbito nacional o Programa Escola Aberta: educação, cultura, esporte e trabalho para a juventude, pautado no conceito e na metodologia do Abrindo Espaços.

A UNESCO solicitou à Palas Athena no início do Programa, no ano 2000, que desenvolvesse a formação para os educadores do projeto, para ministrar o primeiro curso de multiplicadores. Fruto destes esforços são as cartilhas escritas para o programa de Educação para a Paz, de autoria da Profa. Lia Diskin: "Paz, como se faz?" http://unesdoc.unesco.org/images/0017/001785/178538POR.pdf (em coautoria com Laura Roizman) e Vamos Ubuntar – um convite para cultivar a paz http://unesdoc.unesco.org/images/0017/001785/178540POR.pdf, que tiveram ampla distribuição nacional. O sucesso do programa está documentado no livro "Dias de Paz", que relata os casos de escolas do programa Escola da Família em São Paulo que conseguiram influenciar positivamente suas comunidades e "Mais Educação, Menos Violência", que analisa os resultados já atingidos pelo programa, ambos publicados pela UNESCO, em parceria com a Fundação Vale.

Nova parceria foi feita entre a UNESCO e a Palas Athena quando esta foi convidada a integrar as ações do eixo Cultura de Paz do Projeto Segurança Humana na concepção, organização e realização de um programa de formação para profissionais da Educação da rede municipal de ensino de Itaquera, realizado nos CEUS da Zona Leste de São Paulo. As "Capacitações Cultura de Paz – redes de convivência" que a Palas Athena realizou junto ao Segurança Humana capacitou 160 educadores nos encontros regulares realizados em 2009, 2010 e 2011, em um total de 179 horas e sensibilizou nos fóruns e encontros ampliados que totalizaram 30 horas, cerca de 1.000 profissionais das mais de cem unidades escolares da DRE de Itaquera participantes das Capacitações, que abordaram: O Guia e a Facilitação em Diálogo; Desenvolvimento Humano, Local e Social em redes de convivência; Ética e Valores Universais; Comunicação na ética da vinculação; Educação Lúdica e Pedagogia da Cooperação; Práticas de Educação em Saúde no cuidado de si e do outro; Cultura Colaborativa na prevenção das formas da violência.
*Mais detalhes no item abaixo da descrição do Projeto Segurança Humana.

Especificamente no eixo da Cultura de Paz e da Convivência citamos alguns programas desenvolvidos mais recentemente:

Convivência democrática e ética solidária – fundamentos para uma Cultura de paz

Programa desenvolvido em Contagem, Minas Gerais – em parceria com a UNESCO e cinco agências das Nações Unidas em ações coordenadas com o PRONASCI, em outubro de 2011.

PROPOSTA DE FORMAÇÃO DE MULTIPLICADORES EM OITO ENCONTROS
Eixos estruturais:
• Educação em ética e valores
• Aprendizagem do diálogo
• Arte de lidar com conflitos
• Desenvolvimento humano, local e social
• Cultura da convivência

Formação presencial desenvolvida em 08 seminários de quatro horas de atividades teórico-práticas conduzidas por educadores da Palas Athena para oitenta participantes das áreas da Saúde, Educação, Promoção Social, Segurança, jovens, líderes e agentes comunitários.
Palestra de Lia Diskin, mentora dos programas educacionais da Palas Athena, para a Prefeitura de Contagem, dirigida aos integrantes de todas as Secretarias Municipais dessa cidade, para estímulo ao trabalho intersetorial de prevenção à violência e desenvolvimento da cidadania plena.

OBJETIVO
Oferecer fundamentação conceitual reflexiva no escopo da Cultura de Paz e um repertório de atividades a ser implementado e recriado nos diversos ambientes e comunidades da cidade de Contagem, com o propósito de desnaturalizar a violência mediante interações de vinculação empática e criativa, criação de cultura de convivência que dê respaldo a ações intersetoriais e redes de desenvolvimento local, social e humano.


Seminários Valores da Convivência na Vida Pública e Privada – 2011/2012

Este programa é uma continuidade atualizada e revista dos Seminários Valores que não têm preço, que se realizaram em dois módulos mensalmente durante 09 anos na Palas Athena – de agosto de 1999 a junho de 2007 – e que se desdobraram em inúmeros outros projetos e atividades educacionais para profissionais da Educação da rede pública de ensino e suas comunidades escolares.

A partir de 2011 os Seminários Valores da Convivência na Vida Pública e Privada acontecem mensalmente na Palas Athena, com 80 vagas gratuitas disponíveis para pessoas de todos os setores de organizações públicas e sociais, visando a articulação intersetorial de áreas vitais da sociedade.

Este programa dissemina valores de parceria, cooperação e transparência entre os gestores e servidores públicos, organizações sociais e a sociedade em geral, presentes nas novas dinâmicas de convivência. Eixos temáticos: Sustentar Reciprocidades / Ética da Vinculação / Novas Fronteiras entre o Público e o Privado / Redes de Desenvolvimento Humano e Social / Cidadania Plena / Diversidade e Identidade.

Seis professores da Palas Athena conduzem cada Seminário mensal com uma abordagem teórico-prática que totaliza 10 horas-aula.


Projeto Segurança Humana 2009/2010/2011 – Capacitação Cultura de Paz – Redes de Convivência

A implementação do Programa Segurança Humana, cuja origem está no contexto dos informes especializados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento de 1994, apresenta hoje dois eixos fundamentais:

• Proteção frente à insegurança
• Criação de mecanismos de participação através da promoção do desenvolvimento humano, que viabiliza autonomia e senso de responsabilidade pessoal e comunitária.

No escopo deste último, a educação e a informação são alavancas para aumentar a capacidade de ação das pessoas no espaço público, e para tanto é necessário oferecer competências que identifiquem necessidades prioritárias não atendidas e, igualmente, que se articulem estratégias de organização e reivindicação democrática por parte dos diferentes setores de uma comunidade. Educação e informação permitem que as pessoas assumam controle de suas vidas identificando os problemas comuns e atuem em conjunto com outros mediante redes de segurança social.

O Programa Cultura de Paz e Não Violência para as Crianças do Mundo, proclamado pela Assembleia das Nações Unidas em 1998 e implementado pela UNESCO no curso da década 2001-2010, mostrou-se eficaz tanto no âmbito escolar quanto na sua participação em setores como a Saúde, Meio Ambiente, Justiça,  Segurança, Esportes e Cultura, tendo sido adaptado por Secretários Municipais e Estaduais do Brasil inteiro, sobretudo em propostas de ação que transformam situações de conflito em um fator positivo de mudança.

Os conteúdos desenvolvidos pela Capacitação Cultura de Paz – redes de convivência ministrada pela Palas Athena para profissionais de Educação da DRE – Diretoria Regional de Ensino de Itaquera em 2009, 2010, 2011, e finalizada com dois encontros e um fórum em maio de 2012, mobilizou significativamente os participantes e suas comunidades escolares para aplicação e multiplicação dos conteúdos e práticas, que versaram sobre os seguintes eixos temáticos: Educação em Ética e Valores / Aprendizagem do Diálogo / Arte de lidar com os conflitos / Criação do desenvolvimento humano, local e social / Cuidado de si e do outro – práticas de educação em saúde / Redes e cultura colaborativa para prevenção à violência .

Total participantes das Capacitações = 160 profissionais da Educação
Total aproximado de participantes dos fóruns e encontros ampliados = 1.000 profissionais da Educação

Total horas-aula das Capacitações = 179 horas-aula
Fóruns e atividades ampliadas = 30 horas-aula



Parceria com o SENAC – cartilha Cultura de paz – redes de convivência http://www1.sp.senac.br/hotsites/gd4/culturadepaz/

• O SENAC produziu em 2009 a cartilha de "Cultura de Paz – redes de convivência", de autoria de Lia Diskin - mentora dos programas educacionais da Palas Athena - como parte de uma campanha para introduzir o Manifesto 2000 da Paz e Não Violência em suas atividades.

• Sustentabilidade social e ambiental, respeito e consciência na convivência urbana e convivialidade aplicada no cotidiano foram temas tratados que incluíram, entre outros, os conteúdos para esse objetivo.

• Desde então a cartilha tem sido distribuída em capacitações do SENAC para seus funcionários, educadores, organizações e integrantes de movimentos sociais de diversos estados brasileiros.

• Esta publicação tornou-se a base da Capacitação que se realizará a partir de 2012/2013 para os gestores das unidades do SENAC do Estado de São Paulo.


Fale sem Medo - Não Violência Doméstica
(Cartilha Não violência Doméstica)
http://www.institutoavon.org.br/wp-content/themes/institutoavon/pdf/cartilha_seminario.pdf)

INSTITUTO AVON – PALAS ATHENA
Seminários “Não Violência Doméstica”

Concepção, desenvolvimento e execução de 06 seminários de Não Violência Doméstica nas seguintes cidades: Porto Alegre, Rio de Janeiro, São Paulo, Fortaleza, Recife e Salvador, no segundo semestre de 2011.

Os encontros se realizaram sob a coordenação da Palas Athena, que se responsabilizou pela criação do formato/modelo/metodologia adequados para se construir a melhor reflexão/conhecimento possíveis em torno do tema com atores locais.

Público: A Palas Athena, junto com o Instituto AVON, identificou lideranças locais que foram convidadas e outros participantes contribuintes ao processo de diálogo.
As expectativas eram que os Seminários contivessem aproximadamente 100 pessoas. 75% seriam multiplicadores, 15% de jornalistas e formadores de opinião e 10% de autoridades locais.

Resultados: a geração de um espaço de reflexão aprofundada e facilitada sobre Violência Doméstica. Que os interlocutores locais possam juntos pensar sobre alternativas inteligentes e viáveis de tratamento da violência em seus ambientes de vida.

METODOLOGIA
Partindo de uma abordagem transdisciplinar – onde saberes e competências de diversos espaços de conhecimento articulam uma compreensão sistêmica e multifocal de um fenômeno tão complexo quanto seja a violência – abordamos a realidade presente através das vertentes biológica, histórica e cultural.

• As apresentações sempre compreenderam: a) parte expositiva; b) audiovisual e c) vivência. Portanto, três momentos com cenários que atenderam ao: 1) pensar; 2) sentir e 3) agir.

• Todos os facilitadores tinham conhecimento dos conteúdos oferecidos antes e depois da sua apresentação, formando-se assim um fio condutor que potencializou o enraizamento cognitivo antes de se chegar à fase das vivências.

• Recursos didáticos como imagens, cartoons, música, bolas, fios e colagens instrumentalizaram dinâmicas corporais de integração grupal e conexão empática.


PROGRAMA DOS SEMINÁRIOS
Quatro períodos de 1h45 minutos cada um, sendo dois de manhã e dois à tarde. Nos três primeiros períodos a apresentação expositiva de conceitos e estudos de caso teve maior ênfase. No período final, a interatividade e a dinâmica em grupos (world café) ocuparam o escopo das atividades propostas.

Conteúdo

1. Cenário biológico – Vida é relação: o surgimento da Vida a partir da cooperação dinâmica de átomos, células, órgãos e seres que viabilizam sua renovação e atualização mediante trocas permanentes. Nenhum organismo individual existe isoladamente ou subsiste no isolamento.
2. Cenário histórico – Modelos patriarcais conferiram valor a um repertório caracterizado pelo autoritarismo, dominação, controle, competição e acumulação, modelo amplamente disseminado na história da cultura ocidental. Modelos de parceria ou matrísticos focaram suas ações no compartilhamento, vinculação, cooperação e sinergia. Resultantes comportamentais destes modelos estão presentes na educação intrafamiliar e escolar.
3. Cenário filosófico – A violência não é um direito, mas uma violação de direitos. Alternativas assertivas para lidar com a violência em situações de conflito. Mediação, negociação, criação de consenso e transformação de situações adversariais no seio familiar e no cotidiano. As contribuições reflexivas da Lei Maria da Penha sobre questões de gênero e educação ética para a cidadania. Ética como fundamento da convivência.
4. Cenário em rede interativa – Socializar o conhecimento e a experiência é socializar o poder e, em consequência, gerar equidade e solidariedade. Criação de redes de informação, proteção e enfrentamento à violência doméstica através de ações articuladas. Partilha de sonhos, projetos e mapas de futuro.


I e II Simpósios de Justiça Restaurativa no Brasil

A Carta de Araçatuba, fruto do I Simpósio Brasileiro de Justiça Restaurativa, em 2005, sintetiza a proposta dos Simpósios:

“Acreditamos que o século XXI pode ser o século da justiça e da paz no planeta, que a violência, as guerras e toda sorte de perturbações à vida humana e ao meio ambiente a que temos estado expostos são fruto de valores e práticas culturais e, como tal, podem ser transformadas. Acreditamos que o poder de mudança está ao alcance de cada pessoa, de cada grupo, de cada instituição que se disponha a respeitar a vida e a dignidade humana.”

(...) “Reformular nossa concepção de justiça é, portanto, uma escolha ética imprescindível na construção de uma sociedade democrática que respeite os direitos humanos e pratique a cultura de paz. Essa nova concepção de justiça está em construção no mundo e propõe que, muito mais que culpabilização, punição e retaliações do passado, passemos a nos preocupar com a restauração das relações pessoais, com a reparação dos danos de todos aqueles que foram afetados, com o presente e com o futuro.”

III Simpósio Internacional de Justiça Restaurativa no Brasil em 2012 – 29/outubro a 14/novembro

Os encontros visam contribuir para a disseminação da Justiça Restaurativa e suas práticas auto compositivas bem como apresentar, através de uma abordagem transdisciplinar, responsável, crítica, reflexiva e generativa, as práticas implantadas no Canadá. Busca também oportunizar a colaboração e disseminação de valores fundantes da Justiça Restaurativa e proporcionar encontros que possibilitem a interlocução entre os docentes e os operadores do modelo no Canadá, visando facilitar a compreensão acerca das práticas instauradas naquele país e seus resultados.

Justificativa
As formas restaurativas de resolução de conflitos e a abordagem de situações que envolvem atos danosos e de violência vêm somando resultados positivos que se contrapõem à tentativa de solucionar situações conflitivas por métodos violentos. A busca por novas alternativas apontam na direção da Justiça e das Práticas Restaurativas.
Voltando o olhar para as práticas aplicadas principalmente no Canadá, encontramos atores comprometidos com este modelo, cujas experiências merecem ser conhecidas. São alguns deles: Barry Stuart, Carolyn Boyes-Watson, Catherine Bergen, João Salm e Rupert Ross.
Nesse contexto iniciou-se os esforços para a realização de seminários no Brasil, com vistas a ampliar as informações sobre as Práticas Restaurativas, as experiências exitosas e as técnicas utilizadas. O III Simpósio Internacional de Justiça Restaurativa está programado para acontecer em três cidades de diferentes regiões do país. Elas foram escolhidas pelo trabalho que realizam para o fortalecimento, ampliação da rede e aplicação desta metodologia em diferentes ambientes sociais. Serão elas: Porto Alegre, São Paulo e Belém.

Metodologia
Os palestrantes convidados participarão de três atividades em cada cidade. A primeira atividade, será uma roda de apreciação e diálogo com os grupos que já vêm atuando com a Justiça Restaurativa em cada região. A segunda será uma visita a representantes das administrações públicas e dos sistemas judiciários regionais. No dia seguinte, o Seminário gratuito desenvolvido por meio de exposições conceituais dos palestrantes, seguido pela fala aberta à audiência, com o objetivo de gerar perguntas e depoimentos que poderão ser abalizados pelas experiências adquiridas no Canadá.
Grupos envolvidos com a Justiça Restaurativa em cada região farão as articulações locais, para fomentar e criar sinergia entre os trabalhos já realizados e buscar atender as especificidades locais.

Serão disponibilizados os livros "Trocando as Lentes", de Howard Zehr e "Processos Circulares" de Kay Pranis, bem como textos e artigos traduzidos dos palestrantes convidados.
Além destes materiais, cada comitê local poderá acrescentar outros que julgarem importantes na composição destas referências.

Público contemplado
Adolescentes e familiares; Advogados; Assistentes sociais; Conselheiros de Direitos e Políticas Públicas; Conselheiros Tutelares; Defensores Públicos; Gestores e técnicos da administração pública nacional, estadual e municipal; Magistrados, Professores; Profissionais que trabalham com direitos humanos, Promotores e Procuradores de justiça; Psicólogos e todas as pessoas interessadas na temática.



PROJETO GANDHI na Fundação CASA

        FORMATO E FACILITADORES DA PALAS ATHENA:

• Vídeo-diálogo – edição comentada de trechos do filme ”Gandhi” (1982) – Luiz Henrique Góes

• Apresentação do monólogo Gandhi, Um Líder Servidor – João Signorelli, ator

• Diálogo aberto com os jovens da Fundação sobre o ideário de Gandhi apresentado no filme e na peça – João Roberto Moris

PÚBLICO: Jovens cumprindo medida socioeducativa nas unidades da Fundação CASA na Grande São Paulo

Cerca de 250 jovens anualmente são atendidos pelo Projeto.



O Projeto Gandhi iniciou-se nas unidades da Fundação CASA em São Paulo em 2007, através de apresentações do filme “Gandhi”, posteriormente editado em português para uma versão de 45 minutos, com trechos escolhidos do filme.

A parceria entre a Palas Athena e a Fundação CASA é resultante das novas diretrizes desta última em trazer os princípios da Cultura de Paz para o universo de internos e funcionários da Fundação.

O projeto ocorre mensalmente em uma das unidades da Fundação CASA na Grande São Paulo, para um grupo em média de 30 a 40 jovens. O projeto atualmente está embasado em um “tripé” em que inicialmente, Luiz Henrique Góes apresenta o filme de Gandhi em sessões de 75 a 90 minutos, parando em trechos e enfatizando os pontos principais da trajetória do líder pacifista.

Na semana seguinte, para o mesmo grupo de jovens que o filme foi apresentado, o ator João Signorelli apresenta o seu monólogo “Gandhi, um Líder Servidor”, em que os eixos do pensamento de Gandhi são apresentados de forma incisiva e poética. Uma ou duas semanas depois, o facilitador João Moris volta à Unidade para conversar com o mesmo grupo de jovens e abrir espaço para reflexão e diálogo sobre o que foi apresentado no filme e na peça.

Todo o trabalho é construído sobre os eixos multidisciplinares que a Palas Athena vem estudando e pesquisando há 40 anos e que hoje integram a Cultura de Paz, ou seja, a não violência ativa, a ética, a cultura da convivência, a equidade nas relações de gênero, diversidade e pluralidade cultural, religiosa e sexual.


Formação em Mediação, Facilitação de Diálogo e Construção de Consenso

10 módulos Teórico-Práticos totalizando 110 horas, e 50 horas de sessões de Prática Supervisionada em Mediação

Mediação, negociação, processos circulares restaurativos, arbitragem, conciliação são práticas sistêmicas que abordam os conflitos de modo a resolvê-los e transformá-los construtivamente. Em instituições/sociedades plurais e democráticas é natural a presença de conflitos em decorrência de expectativas, valores e interesses diferentes que não podem ser atendidos ao mesmo tempo. Surge portanto demanda para as abordagens do conflito a serem ensinadas no curso.

Técnicas de comunicação onde o diálogo desempenha um papel central na qualificação da escuta e, consequentemente, na possibilidade de aproximação e entendimento mútuo, abrem espaços para todos os envolvidos – seja nas relações familiares, nas empresas, instituições, comunidades ou equipes de criação compartilhada.

Pensamento reflexivo, identificação de cenários emocionais e produção coletiva de conhecimento integram a metodologia desta FORMAÇÃO EM MEDIAÇÃO, FACILITAÇÃO DE DIÁLOGO E CONSTRUÇÃO DE CONSENSO.

Objetivos Gerais
Promover a ampliação dos instrumentos para a pacificação social, através do uso de ferramentas de diálogo colaborativo. Informar e formar pessoas na arte do conviver com transparência, cooperação e alteridade, capacitando as pessoas/profissionais para o uso de técnicas de diálogo, visando à prevenção e à desconstrução/transformação de conflitos, dentro de uma abordagem transdisciplinar, com responsabilidade, pensamento crítico, reflexivo e generativo possibilitando a construção de estratégias de facilitação de diálogos, segundo atuação metodológica voltada para ações inclusivas.

Esta Formação em Mediação, Facilitação de Diálogo e Construção de Consenso realiza-se anualmente na Palas Athena desde 2010, coordenada pela Dra. Celia Passos e Dr. Cássio Filgueiras. Conta com uma equipe de educadores, com a mentoria e supervisão da Palas Athena e professores especialistas para atender a este programa de Formação de Mediadores, que acolhe 35 participantes a cada ano.

Celia Passos – coordenadora da Formação, professora e parceira da Associação Palas Athena.Mestre em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal Fluminense – UFF. Diploma Universitário em Mediação pelo Institut Universitaire Kurt Bösch, Suíça e Argentina; MBA Empresarial pela Fundação Dom Cabral e Post MBA pela FDC-Kellogg School of Management, Chicago. Pesquisadora, docente, diretora e fundadora do ISA-ADRS – Instituto de Soluções Avançadas onde presta consultoria em Gestão de Conflitos. Membro do Fórum Permanente de Práticas Restaurativas
e Mediação do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ). Docente em Métodos Alternativos de Solução de Conflitos (MASCs) e Práticas Restaurativas. Co-organizadora do Curso de Mediação e Resolução Pacífica de Conflitos em Segurança Cidadã - Projeto Piloto RJ coordenado pelo PNUD - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e SENASP - Secretaria Nacional de Segurança Pública (2007). Membro do Fórum Permanente de Mediação e Práticas Restaurativas do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro e da Comissão de Mediação da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB/RJ. Doutora em Psicologia Social pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ.