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  • 150º Fórum do Comitê da Cultura de Paz e Não Violência
      CULTURA DE PAZ – UM HORIZONTE EM PERMANENTE CONSTRUÇÃO   Live em celebração do 150º Fórum de Cultura de Paz e Não Violência
    Participação especial de: Marlova Jovchelovitch Noleto, Leoberto Brancher e Lia Diskin Apresentação: João Signorelli   Marlova Jovchelovitch Noleto - Diretora e representante da UNESCO no Brasil; mestre em Serviço Social. Foi bolsista da Fundação Kellogg, da Eisenhower Exchange e da Federação Suiça de Assistentes Sociais. A convite da Aliança Brasil-Índia aprofundou seus estudos sobre "Ahimsa" – não violência – e a filosofia de Gandhi, na Índia. Foi presidente do Conselho Nacional de Assistência Social. Autora e coautora de livros sobre Educação e Cultura de Paz. Leoberto Brancher  - Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, com atuação na área da Justiça Restaurativa. Coordena o Núcleo de Justiça Restaurativa do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, e integra o Comitê da JR do Conselho Nacional de Justiça. É professor da Escola da Magistratura de RS; voluntário do projeto “Círculos em Movimento” com apoio institucional da UNESCO – Criança  Esperança. Lia Diskin - Formada em Jornalismo com especialização em Crítica Literária, é cofundadora da Associação Palas Athena e coordenadora do Comitê da Cultura de Paz – uma parceria UNESCO e Palas Athena. Autora e coautora de uma dezena de livros, entre eles: "Vamos ubuntar? – um convite para cultivar a paz" (UNESCO) e "Redes de convivência" (SENAC). Palestrante na Organização das Nações Unidas na instalação do 2 de outubro como Dia Internacional da Não Violência.
    13 de agosto de 2021 • sexta-feira • 18h30 YouTube da Palas Athena www.youtube.com/palasathenabrasil  Atividade acessível - Tradução em Libras
     "Quando a UNESCO promove uma cultura de paz, percebe-se logo que a âncora dessa busca é a educação, pois a conquista da paz pressupõe, entre outros, o direito à educação. É por intermédio dela que reside a esperança da formação de mentes verdadeiramente democráticas. Foi pensando nisso que em 2000, no Ano Internacional da Cultura de Paz, a UNESCO lançou o Manifesto 2000   – Respeitar a Vida, Rejeitar a Violência, Ser Generoso, Ouvir para Compreender, Preservar o Planeta e Redescobrir a Solidariedade  –, procurando gerar em cada pessoa um compromisso com esses princípios para a construção da paz em seu entorno."
    Marlova Jovchelovitch Noleto "Há quase dois anos convivemos com um vírus que nos retira o fôlego e exige atenção ao sistema respiratório. Ao focar, real e simbolicamente, no fluxo de trocas vitais que conecta nossa interioridade física e emocional com o meio ambiente e nossos relacionamentos, esse vírus, sob ameaça letal, nos desafia a um hiato reflexivo para respirar um ar renovado, vívido e essencial em termos de valores, atitudes e modos de relacionamento. Mas, frente às nossas turbulências existenciais, será mesmo à paz que aspiramos?" Leoberto Brancher
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  • A construção nossa de cada dia
    Maria da Conceição de Almeida (GRECOM/UFRN)

    Dedico à Lia Diskin, Lucia Benfatti, Teresa Vergani
    e Ana Cecília Espinosa.
    Quatro artesãs do ‘oitavo dia da criação’.

                Cada vez que de forma individual ou coletiva professamos palavras e cultivamos bons pensamentos estamos agindo no sentido de   regenerar as forças da conjunção e da fraternidade universal.  Em outras palavras, estamos a reatualizar nossas reservas antropológicas em direção à uma Cultura de Paz e Não Violência. Em maio de 1998, a Associação Palas Athena patrocinou a vinda do pensador francês Edgar Morin a São Paulo, para cumprir várias atividades. Entre essas atividades, e sob a coordenação do Prof. Edgard de Assis Carvalho, aconteceu, na manhã do dia 6 daquele mês de maio, no Teatro TUCA, uma mesa-redonda com a presença  de Edgar Morin e colegas da física  (Nelson Fiedler-Ferrara) e da literatura (Nelly Novaes Coelho). Fruto desse momento é o livro Ética, solidariedade e complexidade,  publicado pela Palas Athena Editora no mesmo ano. Eu estava presente naquela mesa-redonda e, para  falar sobre Cumplicidade, complexidade, (com)paixão, me fiz valer da metáfora da uma mala a ser organizada por nós para a nossa viagem rumo ao século XXI. Na ocasião me perguntava: Como cuidar da leveza da mala a ser transportada por nós, sem deixar de incluir nela os valores essenciais para refundar uma civilização marcada pela amorosidade estendida  a todas as coisas; por atitudes de generosidade e irmandade entre os humanos; pelos sentimentos de impermanência e transitoriedade capazes de semear  sementes de vida para as futuras gerações? Hoje, passadas um pouco mais que duas décadas, e já imersos no novo século, podemos nos perguntar  o que de melhor aconteceu na caminhada da espécie humana nos níveis individuais, coletivos, locais, nacional e planetário? Ao que parece, não há muito o que comemorar. O aumento da população mundial caminha pari passu com a desigualdade crescente, com um genocídio étnico e social sem precedentes, com a degradação da nossa Casa Mãe Terra e o comprometimento e crueldade com as espécies que coabitam conosco o mesmo espaço; com o consumo ostensivo dos ricos ao lado de populações que não têm sequer o pão de cada dia; com legiões de pessoas que saem de seus países, e se desenraizam  de suas histórias; com uma crise que não se reduz a um problema sanitário, mas se desdobra na degeneração do espírito, da alma, da saúde mental. Se esse é o cenário que vivemos,  haveremos nós, por isso mesmo, que nos munirmos, ainda e sempre, de palavras e pensamentos capazes  de transformar sementes de morte em sementes de vida. Com essa intenção compartilho com vocês duas ideias/metáforas: a construção de castelos de areia; e o apelo para que nos tornemos artesãos do oitavo dia da criação do mundo. Construtores de castelos de areia Sentados diante do mar, um grupo de crianças se empenha em construir castelos de areia. Já vimos muito essa cena, já participamos desse cenário algumas vezes ou já nos descreveram essa atividade lúdica. As crianças vão aprendendo aos poucos o lugar ideal para que as edificações não desmoronem rapidamente. Esse lugar ideal está no meio do caminho entre a areia muito seca e as últimas ondas que deitam constantemente na praia. O conjunto arquitetônico que congrega os castelos exibe muralhas, diques, torres de observação, subterrâneos, alamedas. Para construir um complexo de tal monta, é necessário intenção, habilidade, desejo, cuidado, delicadeza. Só se edificam bons castelos na areia se as mãos se tornam veículos de onde flui a criatividade capaz de transformar areia em castelos. Ao construir castelos de areia, as crianças parecem cumprir a função de nos relembrar o ritual da vida em sociedade. Construtores de sonhos, veículos de desejo -  essa é a síntese da condição humana. Fazedores de castelos de areia. A única espécie viva que sonha acordada, como nos lembra Edgar Morin. Nada a estranhar, uma vez que, conforme Shakespeare, “somos feitos da mesma matéria que são feitos os sonhos”. Advindos de pertencimentos diferenciados, imbuídos de tarefas cotidianas diversas, constituídos por singularidades psíquicas preciosas, todos reatualizamos, no nosso tempo, o ritual próprio aos construtores de sonhos. Estamos todos, continuamente, construindo castelos de areia. Cabe perguntar: como os temos construído? Por vezes, as muralhas escondem os castelos e nos tornamos encarcerados em nós mesmos, blindados ou autoimunes aos apelos da convivialidade com o outro que requer, como sabemos, compartilhar diferentes formas de viver. Outras vezes, os diques são demasiadamente fortes e permanentes, e, em vez de nos proteger para permitir a necessária autorreconstrução e metamorfose de nossas vidas, esses diques e muralhas nos impedem de ensaiar qualquer pulsão de criatividade ou, ainda, de desenhar caminhos de fuga para outros horizontes ­— sejam esses horizontes teóricos, pessoais, psíquicos ou coletivos.  Alguns grupos de construtores de sonhos esquecem de multiplicar as alamedas que ligam os castelos entre si. Ou seja, que nos religam uns aos outros, e então ficam ilhados em seus próprios porões. Isso quer dizer que nem todo sonho opera confluência, encontro, multiplicação. Há bons sonhos, mas também sonhos sofridos a que chamamos pesadelos. Os construtores de sonhos, que somos nós, vivemos permanentemente o limite entre o sonho bom e o pesadelo, nas palavras de Edgar Morin, entre a “boa e má utopia”. A partir desse patamar é possível problematizar a cultura, a sociedade em que vivemos e a sociedade que queremos construir e, por fim, propor uma ética do pensamento, capaz de sonhar por nossas próprias mãos. Uma tal ética supõe o princípio da “sustentável leveza do conviver” como propõe Edgard Carvalho na palestra que iniciou essa mesa de hoje e ela só será eficaz se nutrida por atos individuais e, simultaneamente, por práticas sociais que façam jus ao que há de mais complexo e mais precioso na nossa contingência de sapiens-sapiens-demens. Ou seja, essa ética requer que nos tornemos sonhadores de bons sonhos. Artesãos do oitavo dia Sonhos comuns, horizontes convergentes, ações individuais, apostas coletivas, desejos compartilhados, sentimentos de compaixão e de parentesco com todas as coisas do mundo (vivas e não vivas). São essas reservas antropológicas da condição humana que operam, fundamentalmente, comunicação e compreensão. Por meio dessas reservas arcaicas poderemos compreender uma metáfora construída pelo astrofísico Hubert Reeves (2002), e seu apelo para que assumamos o lugar de ‘artesãos do oitavo dia’. Explico: numa alusão ao inacabamento e permanente evolução do universo, Reeves se vale do mito judaico-cristão que conta o nascimento de todas as coisas em sete dias. Como sabemos, o livro do Gênesis conta que o início da criação do mundo se deveu ao sentimento de solidão de um demiurgo, e ao seu desejo de não permanecer sozinho na escuridão do espaço vazio. Esse sentimento de solidão talvez esteja muito próximo da solidão coletiva que caracteriza o nosso tempo, mas que pode se transformar no desejo de refundar uma ‘política de civilização e de humanidade’, sempre ressaltado por Edgar Morin.  Edgard Carvalho fez alusão, em sua palestra, a uma “Linguagem Elementar, da qual precisamos com vital urgência”. Essa linguagem pode se constituir no alimento primeiro do educador, isto é, de todos nós, para cumprir nossa missão de arquitetar, coletivamente, uma sociedade mais conjuntiva,  solidária,  afetiva e um pouco mais feliz. Contudo, não somos demiurgos, deuses. Somos sujeitos de carne e osso, sujeitos da falta, do paradoxo e da contradição. Ao mesmo tempo egoístas e altruístas e, sobretudo, marcados pela ambiguidade da condição humana tão bem expressa pelo poeta português Fernando Pessoa, quando diz: “a mão que afaga é a mesma que apedreja; a boca que beija é a mesma que escarra”. Diante, pois, da contingência da condição humana que conjuga a boa utopia, mas também as forças da regressão, não devemos, como educadores, ocupar o lugar de salvadores do mundo, de detentores de verdades irrevogáveis. Daí porque é importante manter o alerta de Edgar Morin, quando diz não ser possível construir o melhor dos mundos, mas tão somente um mundo melhor. Movidos pelo desejo de construção de uma sociedade-mundo arquitetada pelas forças da conjunção e não da disjunção; da solidariedade e não da competição; e da consciência da indissociação entre local e global, haveremos de nos nutrir da humildade, mas também da ousadia e de um trabalho obstinado e incansável de recriação do mundo, da vida, da educação, da sociedade. O artesão é aquele que transforma a matéria em objeto utilitário, estético ou bom para pensar. É aquele que religa fragmentos em uma totalidade, mesmo que aberta. Aquele que manuseia o que está à sua volta, retira as partes mortas e interfere ativamente na sua transformação. Ele reconhece a distinção, mas não a oposição entre imaginação e realidade, porque sabe que sua obra material é produto da imaginação e do sonho. O artesão é aquele que expõe, com maestria e magnitude, a criatividade – essa dádiva maior da condição humana. É, sobretudo, aquele que sabe ver bem o mundo à sua volta; que percebe o que precisa ser transformado, o que está em estado de necrose e precisa de regeneração. Paciência, ousadia, persistência, consciência da imperfeição e autocrítica parecem ser as ferramentas e os materiais do artesão do conhecimento, do educador. Como as crianças que constroem seus castelos de areia, temos nós que nos valer do irresistível desejo humano de recomeçar nossa obra todo dia! Somos os artesãos do oitavo dia da criação! E, se nossa ousadia e prudência requerem mais tempo do que nos é dado a viver, não nos deixemos abater. O sentimento de impermanência favorece nossa disposição para criar novos horizontes para as futuras gerações. Façamos nossa parte e escutemos as palavras de Ernesto Sabato no poema Idade.

     “O que se pode fazer em oitenta anos? Provavelmente, começar a dar-se conta de como haveria de viver e quais são as três ou quatro coisas que valem a pena. Um programa honesto requer oitocentos anos. Os primeiros cem seriam dedicados aos jogos próprios da idade, dirigidos por aios de quinhentos anos; aos quatrocentos anos, terminada a educação superior, se poderia fazer algo proveitoso; o casamento não deveria ocorrer antes dos quinhentos; os últimos cem anos poderiam ser dedicados à sabedoria. E ao cabo dos oitocentos anos, talvez se começasse a saber como se deveria viver e quais são as três ou quatro coisas que valem a pena. Um programa honesto requer oito mil anos. Etc.”


    Sobre a autora
    Maria da Conceição de Almeida -  
    Antropóloga. Professora Titular da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Doutora em Ciências Sociais pela PUC de São Paulo. Coordenadora do Grupo de Estudos da Complexidade – GRECOM; Coordenadora pela UFRN/Natal do primeiro ponto brasileiro da Cátedra Itinerante Edgar Morin para o Pensamento Complexo\UNESCO.
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  • Ana Cunha
    Ana Cunha, Professora de Yoga desde 2003. Graduada em ciências e matemática com Pós-graduação em Análise de Sistemas. Pós-graduada em Yoga pela FMU. Formação em Atenção e Concentração nas em Práticas Meditativas e em Ética e Cultura de Paz, ambos pela Associação Palas Athena.
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  • Práticas de Integração Mente-Corpo

    PRÁTICAS DE INTEGRAÇÃO MENTE-CORPO

    Desde 2020 a Palas Athena desenvolve encontros on-line de “Práticas de Integração Mente-Corpo" do Projeto “Cuidando da Pessoa que Cuida: O Cultivo da Saúde Integral”. Programa gratuito para trabalhadores e profissionais da Saúde, Assistência Social e Educação de Instituições Públicas que oferecem serviços à população em geral. São práticas de 30 minutos que não exigem conhecimento prévio de práticas mente-corpo nem de meditação. Desenhado inicialmente para atender à Secretaria Municipal da Saúde da cidade de São Paulo, o projeto logo foi estendido às Secretarias de Assistência e Desenvolvimento Social e Educação do mesmo município, bem como a qualquer trabalhador ou profissional que atue nessas áreas independentemente da Instituição à qual pertença. A participação é livre em qualquer dia. Com professores da Palas Athena Coordenação: Rejane Moura Apoio: Sandra Godoy Segundas, das 17h30 às 18h Quartas e sextas, das 9h00 às 9h30
    Via Zoom. A sala é aberta cinco minutos antes do horário, e o encontro começa pontualmente.
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  • Qual o meu propósito de vida?
    Estamos deixando para trás narrativas e teorias que reduziram a existência de milhões de espécies vivas a meros recursos para gerar riqueza. A complexa autorregulação do corpo humano não é mais descrita como uma máquina, cujos órgãos não dialogam nem cooperam entre si. Hoje sabemos que a própria Terra é um organismo vivo que pela interdependência e cooperação se regenera e oferece futuro. Nada prospera em isolamento, a autossuficiência é uma impossibilidade biológica, cultural e espiritual. Neste cenário de novas percepções de realidade e de nós mesmos, emerge a questão do propósito. Qual o significado, qual a direção que orienta este universo e tudo que nele existe? Nós, humanos, sempre buscamos respostas também quanto ao nosso quotidiano de necessidades e aspirações. O que escolher? O que oferece mais vida à nossa vida? Somos criaturas complexas, multidimensionais - já não encontramos satisfação em produzir e consumir, em acumular e aparentar. O propósito nos convida a sair da mesmice.
    Lia Diskin Jornalista especializada em Crítica Literária, Cofundadora da Associação Palas Athena, Palestrante com reconhecimento internacional.
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  • 7ª Semana Nelson Mandela
    149º Fórum do Comitê da Cultura de Paz e Não Violência  7ª Semana Nelson Mandela Conversas em torno de Eu não sou seu negro   Em 18 de julho de 1918 nasceu um dos líderes políticos mais admirados dos últimos tempos. Admiração que não se restringiu à sua terra natal – atravessou oceanos, culturas, etnias e ideologias. Trata-se de Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul, vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 1993, e arquiteto visionário de uma política inclusiva e democrática que derrubou o apartheid imposto pela minoria branca sul-africana durante a maior parte do século XX. Advogado, ativista e líder da luta contra a segregação racial, passou 25 anos no presídio de segurança máxima sob acusação de conspiração. A pressão internacional deu visibilidade às injustiças locais e, finalmente, conseguiu sua libertação. Negociação, mediação, capacidade singular para o diálogo com seus próprios algozes e opositores, deram origem à Comissão para a Verdade e a Reconciliação – experiência sul-africana que inspira o mundo inteiro a dirimir e evidenciar violações dos direitos humanos em todos os contextos sociais que emergem. Nas próprias palavras de Mandela: “Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem, ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar.” Em homenagem a Nelson Mandela, neste Fórum apresentamos “Conversas em torno de Eu não sou seu negro”, documentário indicado para o Oscar sobre o qual é oportuno refletir, perceber, para não se tornar um cúmplice da desumanidade e alienação.
    16 de julho de 2021 • sexta-feira • 18h30 YouTube da Palas Athena www.youtube.com/palasathenabrasil   Atividade acessível - Tradução em Libras
     Andréa Arruda - Psicóloga com especialização em Ciências Humanas e suas Tecnologias - UNICAMP. Atuou como professora e gestora da Rede Pública Estadual de São Paulo. Foi psicóloga e educadora em projetos com adolescente em medida socioeducativa. Desde 2009 trabalha e pesquisa questões ligadas ao Sistema de Garantia de Direitos das Crianças e Adolescentes, Gênero, Sexualidade e Justiça Restaurativa. Mediadora de Conflitos e Facilitadora de Processos Circulares. Cofundadora do Núcleo de Cultura de Paz e Práticas Restaurativas Nelson Mandela. Anny Lima - Psicóloga clínica e diretora executiva da Verde Oliva ME. É especialista em Museologia, pós-graduada em Gestão de Projetos, bacharel e licenciada em Psicologia e em Educação Artística. Possui Formação em Cultura de Paz e Dinâmicas de Convivência, Ética e em Mediação, Facilitação de Diálogo e Construção de Consenso pela Palas Athena. Fernando Stanziani - Psicólogo e engenheiro. Mestre pelo Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências da Religião da PUC-SP, Psicologia Analítica (C.G. Jung) pelo Instituto Sedes Sapientiae. Consultor empresarial em desenvolvimento humano, planejamento estratégico, qualidade e ética organizacional. Professor universitário nas disciplinas de Psicologia e Ética. Foi professor de Ética Empresarial em cursos de pós-graduação da FIA, FECAP e FIPECAFI. Professor e conselheiro da Associação Palas Athena. Membro participante da iniciativa Coalizão Inter-fé em Saúde e Espiritualidade. Ivani Francisco de Oliveira - Psicóloga, mestra em Psicologia Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Desenvolve estudos sobre relações raciais brasileiras. Atualmente é docente e supervisora de estágios da Universidade Cidade de São Paulo e colaboradora do Instituto Afro Amparo Saúde. João Signorelli - Ator profissional desde 1972. Jornalista formado, atuou em mais de 22 novelas, 25 peças de teatro e 12 filmes. Mestre de cerimônias, e em especial das últimas visitas do Dalai Lama ao Brasil. Há dezessete anos se dedica a divulgar a Cultura de Paz através dos espetáculos teatrais Gandhi, Um Líder Servidor e a Ética Inspiradora. Lourdes Alves de Souza - Educadora, Psicóloga, Especialista em Desenvolvimento Local e conselheira e docente na Associação Palas Athena. Pós-graduada em Gestão Estratégica da Informação e do Conhecimento e Inovação. Mestranda em Psicologia Clínica pela PUC-SP. Certificada em Ética, Cultura de Paz e Dinâmicas de Convivência, e em Mediação, Facilitação de Diálogo e Construção de Consenso. Coautora no livro O Papel da Universidade no Desenvolvimento Local - Experiências brasileiras e canadenses. Em 2019, participou do TEDx Talks com o tema Convivência, eis a nossa questão.
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  • Edgar Morin

    Edgar Morin

    Um dos pensadores mais emblemáticos e importantes dos séculos 20 e 21, reconhecido internacionalmente como o fundador e o pensador mais destacado do Pensamento Complexo. Foi codiretor do Centre d’Études Transdisciplinaires de la École des Hautes Études Sociales, de Paris, por quase duas décadas. No início dos anos 1950 iniciou seus trabalhos no Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS) de Paris, no qual permaneceu e foi nomeado Diretor de Investigação e depois Diretor Emérito, onde foi fundado o Laboratório Edgar Morin em 2008. Em 1999 foi criada a Cátedra Itinerante UNESCO “Edgar Morin”, para o ensino do Pensamento Complexo. Além de sua formidável cultura, de seus inumeráveis títulos de doutor honoris causa, há o legado inapreciável de suas publicações e desdobramentos de suas atividades educacionais transformadoras no mundo todo.

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    Nada mais oportuno do que falar sobre fraternidade! Em tempos de surdez endêmica, onde todos falam mas ninguém escuta, o convite do Professor Edgar Morin talvez abra espaços para reconhecer que hoje “não há uma terra de ninguém nesta terra de todos”, portanto estamos embarcados em uma aventura comum com um destino comum.


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    Um diálogo rico e apaixonante entre dois dos maiores cientistas e pensadores contemporâneos, cujo traço em comum é a interdisciplinaridade: sociologia, psiquiatria, psicanálise, história, biologia, antropologia – e muito mais. Para compreender a realidade do humano não basta estudar as partes isoladas do todo. O todo é mais do que a soma das partes, e o pensamento complexo visa efetivamente perceber o que liga as coisas umas às outras. 


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    O mundo em crise é um cenário de transformações onde estão presentes riscos e oportunidades de mudança. Diálogos constantes entre educação e política, academia e políticos, é uma das ações inadiáveis. Em algum momento de sua trajetória, os fins da educação se alteraram, e o fim supremo que é aprender a viver ficou em segundo plano. Há de ser retomado pela educação, tornando-se ponto de partida, farol e horizonte, reunindo as reformas do pensamento, do ensino, da política e da vida.


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    Vídeos

    Antropologia Complexa e a Ética do Futuro - Parte 1

    Antropologia Complexa e a Ética do Futuro - Parte 3

    Antropologia Complexa e a Ética do Futuro - Parte 4

    Coleção Grandes Educadores

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  • Jornadas Edgar Morin - A vida em tempos de incertezas e a construção do futuro
    Para marcar o centenário de um dos pensadores mais emblemáticos e importantes do século 20 e 21, o Sesc São Paulo promove nos dias 28 e 29 de junho o ciclo “Jornadas Edgar Morin – A vida em tempos de incertezas e a construção do futuro". Os bate-papos serão transmitidos na segunda e na terça (28 e 29/6), às 15h, pelo Youtube e Facebook do Sesc SP. Edgar Morin é reconhecido internacionalmente como o fundador e o pensador mais destacado do Pensamento Complexo. Foi codiretor do Centre d’Études Transdisciplinaires de la École des Hautes Études Sociales, de Paris, por quase duas décadas. Em 1999 foi criada a Cátedra Itinerante UNESCO “Edgar Morin”, para o ensino do Pensamento Complexo. Além de sua formidável cultura, de seus inumeráveis títulos de doutor honoris causa, há o legado inapreciável de suas publicações e desdobramentos de suas atividades educacionais transformadoras no mundo todo, dentre elas os livros "Fraternidade", "Reinventar a Educação" e "Diálogo sobre a natureza humana" publicados pela Palas Athena Editora. Dia 28, 15h às 17h30 Abertura: Danilo Santos de Miranda e Edgar Morin Prólogo: Edgard de Assis Carvalho Debatedores: Conceição Almeida, Juremir Machado. Mediação: Lia Diskin Apresentação: Heloisa Pisani Dia 29, 15h às 17h30 Prólogo: Edgard de Assis Carvalho Debatedores: Tereza Mendonça Estarque, Izabel Petraglia. Mediação: Mário Sérgio Cortella Epílogo: Michel Maffesoli Apresentação: Heloisa Pisani
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  • A sustentável leveza do conviver
    Edgard de Assis Carvalho A insustentável leveza do ser, de Milan Kundera, trata do absurdo da existência humana. Existência que havia perdido substância, peso, valor, no mundo sombrio e opressivo das quatro décadas da ditadura checa, cenário do romance, originalmente publicado em 1983. Na superfície, o relacionamento de dois casais, suas diferenças, similitudes, desníveis; na profundidade, um libelo da liberdade e da leveza que devem reger as relações humanas. Viver com o outro demanda esforços: intensos, alegres, compensatórios, benevolentes. Sempre se abdica de uma parte de si para conviver com o outro, imaginar-se em seu lugar, sofrer quando ele sofre, doar-se para que a circulação dos afetos e sentimentos se efetive em prol de um mundo solidário e fraterno. Se temos pulsões antissociais, egoístas e mesmo amorais, vamos contê-las, refreá-las, transformá-las para que o altruísmo, as boas paixões, a ética se consolidem como meta, propósito, horizonte do mundo. O desapego do ego pode ser um bom caminho. Desconstruí-lo implica reconhecer que ele é um ilusionista capaz de ludibriar e nos convencer de que somos o centro do mundo e que é nosso direito subjugar o outro, submetê-lo às nossas escolhas. É esse o embrião-vírus dos autoritarismos, repressões, intolerâncias, malevolências. Inscritos inegavelmente na longa trajetória evolutiva, nossa arrogância sofreu sérios golpes ao saber que a Terra não era o centro do cosmo, que viemos do outro, que somos habitados pelo inconsciente, rasgando o tecido emocional para as três feridas narcísicas expostas por Sigmund Freud, em 1914. Mas a ideia de sermos os únicos criadores e transmissores de cultura ainda permaneceu. Não somos mais. Destronados do antropocentrismo, ainda é difícil para muitos reconhecer e assimilar que outros seres vivos são tão bioculturais como nós. Primatas não humanos – gorilas, orangotangos, chimpanzés, bonobos – criam sofisticadas tramas de sociabilidade para o conviver. Suas conexões emocionais são regidas pelos sensos de empatia, afetividade, consolo, cooperação, reciprocidade, justiça, gratidão, interesse pela comunidade. Destacados estudos da paleontologia contemporânea, como os de Frans de Wall, demonstram que a fronteira entre animalidade e humanidade caiu por terra, embora as culturas humanista e científica que regem os dispositivos institucionais deneguem essa evidência empírica e cognitiva. Essas duas culturas insistem em não reconhecer que uma quarta ferida narcísica já está instalada em nossa mente. Manter intocável essa fronteira é um retrocesso educativo, pedagógico, simbólico. Mas, afinal, o que é a cultura? Um conceito-armadilha, definido como um conjunto sistêmico de regras, padrões, instituições, ao qual se presta obediência e resignação. Uma fábrica da ordem como sabiamente alertava Zygmunt Bauman. A cultura foi também considerada como revestimento, exoesqueleto que se sobrepõe à crosta das relações econômicas e políticas. As divisões entre cultura erudita e popular, elitista e massificada se incumbiram de mostrar que esse revestimento era desigual, dependia das diferenças e contradições sociais. Cada classe social com sua cultura, cada povo com seus padrões. O relativismo foi a consequência funesta dessa interpretação. A cultura deve ser pensada – adverte Edgar Morin - como circuito metabólico, jogo múltiplo de ordens, desordens, interações, reorganizações que moldam o convivial. Com a globalização, o sentimento de comunidade, do comum, perdeu-se nas brumas imateriais das redes sociais. O comum implica partilhas, compartilhamentos, coparticipações. Envolve planilhas de reconhecimento mútuo, enraíza-se na experiência. O comum nos leva a refletir sobre ações e decisões que tomamos no cotidiano, mesmo que elas pareçam reproduzir padrões, ritmos, códigos, números. Vivemos cercados de formatos e convenções: casa, trabalho, afetividade, política. É urgente transcendê-los para que o conviver se estenda para além dos limites das comunidades de pertencimento. Somos uniduais, ao mesmo tempo naturais e culturais, sensíveis e inteligíveis, sábios e loucos. Lidar com essa dualidade simultaneamente oposta e complementar, este sim é o desafio. Primatas humanos enlaçam a todo tempo o cerebral-espiritual-cultural-social e o físico-biológico-zoológico. Presas inelutáveis do espírito do tempo e da historialidade, somente a partir desse enlace seremos capazes de diagnosticar, propor, teorizar, imaginar a complexidade do real e o real da complexidade. A submissão, a monotonia, o conformismo das sociedades líquidas devem ser substituídos por espirais de audácia, criatividade, revolta, que invistam no sentido trinitário indivíduo/sociedade/espécie. Por isso, somos híbridos, polifônicos, indeterminados, impermanentes. Treinar a mente é prioritário, mas esse treinamento é longo, cotidiano, por vezes desanimador. A mente treinada não se deixa sucumbir face aos conflitos interiores e exteriores que nos assolam e oprimem. Estar sempre atento aos sinais, praticar a atenção plena preconizada pelo Budismo, não permitir que a fraqueza da vontade, a acrasia, se instalem. Meditar é cultivar a si mesmo, ter discernimento diante do mundo e de si, é aprofundar uma fenomenologia da percepção para poder lutar e agir em prol da banalidade do bem. Esse é o caminho. A confrontação e a animosidade trazem danos irreversíveis para o conviver, elas impedem que a benevolência e o altruísmo se propaguem. O verdadeiro altruísmo é desinteressado, sua única finalidade é a benevolência. O mais crucial é estender essa benevolência para além dos membros da família, dos amigos próximos, e fazê-la chegar à comunidade de destino de todos os humanos, preservar a casa comum, o oikos, repensar em tempo real a relação com a natureza, escutá-la com humildade, preservá-la e não dominar e destruir o que pertence a todos. A verdadeira escuta não se restringe apenas aos divãs analíticos, ela implica o exercício rigoroso da presença, da tentativa de aliviar o outro dos próprios medos. Escutar é doar-se. Escutar é presença plena diante do mundo e do outro, justa medida de todas as coisas. Num mundo repleto de vampiros, de Lestats que saem à noite dos seus túmulos para sugar o sangue dos outros e, impunes, voltam para seus esquifes antes do raiar do dia, faltam oásis de fraternidade que resistam à crueldade do mundo, como Edgar Morin denomina essas pequenas ilhas de solidariedade que enaltecem o conviver, o reconhecimento, a ajuda mútua, o altruísmo, a ética. Existem antídotos para combater agentes do Mal, sejam eles vampiros ou não: crucifixos, réstias de alho, água-benta, mas também revoltas, insurgências, literaturas, artes e poesia. Quem viu a Série Negra, de Goya, Guerra e Paz, de Portinari, Guernica, de Picasso, Abaporu, de Tarsila, quem leu As flores do mal, de Baudelaire, A terra devastada, de Eliot, quem se perdeu nos labirintos de Em busca do tempo perdido, de Proust, quem se reencontrou nas tramas de Grande sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, se dá conta dessa força indômita que habita em nós, que nos anima a prosseguir mesmo diante da crueldade e da insignificância do mundo. Na trama de Kundera o cão Karenin ignora a dualidade do corpo e da alma, não conhece a vergonha. Seu amor pelos donos é desinteressado. Sua dona o aceitou tal como ele é. Se o educou, afirma Kundera, não foi para mudá-lo, mas para lhe ensinar uma linguagem elementar que facilitasse sua convivência e a compreensão dos outros. É dessa linguagem elementar que precisamos com vital urgência. Talvez seja ela que, finalmente, nos permitirá superar a opressão, valorizar a simplicidade, a compreensão, realizar a paz perpétua preconizada por Kant e, de modo consciente, coparticipar da sustentável leveza do conviver. Edgard de Assis Carvalho, Coordenador do Complexus, vice-presidente do Instituto de estudos da complexidade, Rio de Janeiro, Assessor permanente do GRECOM, grupo de estudos da complexidade, UFRN.
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