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  • Enterre seus monstros - Entrevista com Mônica Guttmann

    Juliana Ribeiro - Diário da Região São José do Rio Preto


     
    Para deixar os medos no passado, é preciso encará-los e descobrir porque você vem alimentando-os por tanto tempo.

    Alguns episódios da vida parecem nunca ter fim. Carregamos conosco lembranças boas, mas também vamos empurrando com a barriga momentos de tristeza, solidão, medo e incertezas. São esses monstros, mal enterrados, que quando surgem na superfície chamada vida nos levam a momentos de estresse e até mesmo de depressão. “Sim, é possível enterrar os monstros do passado no passado, mas para isso precisamos olhá-los de frente, compreender porque nasceram e como ganharam força dentro de nós”, explica a psicóloga e arte-terapeuta Mônica Guttmann, da Associação Palas Athena, em São Paulo.

    Segundo Mônica, em geral, as feridas mais profundas nascem em nossas infâncias, a partir daquilo que sentimos, percebemos e recebemos dos adultos mais próximos, que são os pais. “É na infância que criamos nossos padrões de comportamento mais profundos, sejam eles positivos ou não. Quando nos sentimos feridos ou ameaçados por algo na infância, criamos defesas em relação a essa dor que, muitas vezes, acaba nos distanciando de nossa essência e de nossa saúde e equilíbrio. Nossas defesas tornam-se autossabotadoras ou ‘monstros’ que nos distanciam ainda mais daquilo e de quem necessitamos”, argumenta.

    Clique aqui e leia a matéria completa, publicada no jornal "Diário da Região". 
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  • Jogo Virtual “Diário de Amanhã”

    Palas Athena | Senac | UNESCO


    Apresentamos o jogo virtual “Diário de Amanhã”.

    Trata-se de uma ferramenta inovadora para abordar em sala de aula de forma leve e criativa o que vai expresso na Declaração Universal dos Direitos Humanos.

    O jogo apresenta algumas etapas: faz inicialmente uma breve contextualização histórica dos direitos humanos. A seguir, os alunos organizados em grupos fazem a escolha do avatar que os representará nas etapas seguintes, sendo a primeira um Quiz com questionamentos sobre a Declaração Universal dos Direitos Humanos; e a segunda uma sequência de 12 missões que apresentam uma manchete de um jornal do futuro (por isso o nome Diário de Amanhã), noticiando a violação de direitos humanos presentes no cotidiano das pessoas na localidade em que vivem, no mundo do trabalho, ou no mundo virtual. Os alunos devem fazer a escolha de uma opção que evite que a notícia vire um fato.

    Estimula-se assim a análise e reflexão sobre as situações buscando um posicionamento frente a elas de modo que cada pessoa encontre no seu cotidiano um jeito de colocar em prática o que vai expresso na Declaração Universal dos Direitos Humanos e de não se calar frente as injustiças que testemunha.

    Para acessar o jogo, basta prencher o cadastro (clique aqui para preencher o cadastro)  e fazer o download gratuitamente do arquivo.

    Após a aplicação do jogo em sala de aula, pedimos a você, caro professor que nos dê um retorno sobre os resultados alcançados, enviando e-mail para contatocef@palasathena.org.br. Isso nos ajudará na composição do relatório de resultados a ser enviado para UNESCO.

    Agradecemos pela parceria nessa importante ação de divulgação da Declaração Universal dos Direitos Humanos e desejamos que o jogo possa contribuir para a construção valores entre a população jovem do país.


    Clique aqui para preencher o cadastro e fazer o download gratuitamente.
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  • 2016

    SEMINÁRIOS INTERNACIONAIS 2016


     

    A mandala e seu significado 18 de março de 2016 Encontro Internacional - Entrada franca - Tibet House Losang Samten Sabedoria milenar para hoje: cultivando uma mente saudável 18 de março de 2016 Encontro Internacional - Entrada franca - Tibet House Losang Samten Habilidades de escuta profunda  14 de junho de 2016 Seminário Internacional - Palas Athena Karma Lekshe Tsomo Comprando felicidade 15 de junho de 2016 Seminário Internacional - Palas Athena Karma Lekshe Tsomo O retorno do sagrado 22 de setembro de 2016 Seminário Internacional - Palas Athena Michel Maffesoli Pensar o mundo: as transformações econômicas, políticas e pessoais  22 de novembro de 2016 Palestra Internacional - Entrada franca - Sesc Vila Mariana Clarles Eisenstein Seminário internacional da aridez ao florescimento 01 de dezembro 2016 Palestra Internacional - Palas Athena Dom Laurence Freeman
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  • O poder do masculino arquetípico

    Denise Ribeiro - Palas Athena


    O que é ser homem nos dias de hoje? É essa a pergunta que o curso O poder do masculino arquetípico – A psicologia masculina na visão de Carl Jung tenta responder. Voltado exclusivamente para homens, o curso aconteceu na Palas Athena, nas terças-feiras de abril. O professor, engenheiro e especialista em Terapia Jungiana Marcelo Jordão, que ministrou o curso, tratou dos perigos da idealização do comportamento masculino e dos caminhos para se obter um equilíbrio psíquico mais saudável.

    Nesta entrevista, o professor fala sobre o conteúdo do curso e da importância do contato com o masculino arquetípico no interior de cada homem: “É preciso abrir espaço em nossa personalidade para a integração de aspectos desse símbolo primordial”, ensina Jordão.

    1) O senhor afirma que os modelos tradicionais para o gênero masculino são agora chamados pejorativamente de autoritários, patriarcais e machistas. Há um jeito não-pejorativo de tratar o autoritarismo, o machismo e o sistema patriarcal?
    Não, esses termos já denotam conceitos pejorativos. O que podemos questionar é se não estamos acostumados a classificar como autoritário, machista e patriarcal quase tudo o que possa caracterizar o aspecto masculino. Acredito que atualmente nossos ideais politicamente corretos acabam por usar esses rótulos para classificar a maioria das atitudes masculinas.

    2) Pode dar exemplos de proibições e idealizações sobre o comportamento do sexo masculino? Quais delas mais afetam a autoestima dos homens?
    Há, por exemplo, uma pressão contra atitudes assertivas e competitivas de um homem. Enquanto na mulher esse tipo de comportamento é em geral apoiado, no homem não é bem visto, mesmo sendo parte predominante do caráter dele. Esse homem corre o risco de ser tachado de arrogante e não cooperativo. Não estou falando em atitudes excessivas e, portanto, desequilibradas nesse sentido. Quero apenas ressaltar que existe uma pressão politicamente correta para pasteurizar as características masculinas, forçando os homens a buscarem a flexibilidade no lugar da assertividade e a valorizarem sempre os interesses do grupo em vez da competitividade – isso para ficar apenas nessas duas características.

    3) Sentir-se perdido em meio às utopias modernas é um privilégio masculino?
    Eu não chamaria isso de privilégio, mas, claro, a mulher também sofre com as utopias modernas. Acho que a mulher moderna também está perdida em seu equilíbrio psíquico devido aos valores concretistas e racionais de nossa atualidade. Além disso, o movimento de emancipação feminina acabou paradoxalmente masculinizando a mulher (empurrado-a a brigar por poder e assertividade), fazendo-a se distanciar de suas características femininas.

    4) Como é possível retomar o contato com os próprios instintos?
    Esse é um imenso desafio para o homem moderno. Com o desenvolvimento de nossa consciência e com o domínio de nossa vontade, nos distanciamos dos nossos instintos. Ao contrário das sociedades primitivas, o homem moderno possui um domínio excepcional de sua vontade – o que contribui para fortalecer nosso ego. Com isso, podemos nos concentrar num objetivo consciente e, por meio da disciplina, vencer nossos instintos quando eles querem “atrapalhar” nossos planos. Esse mecanismo de controle da vontade sobre o instinto fica evidente no caso de uma dieta, por exemplo.
    Nós nos desenvolvemos tanto no sentido de dominar os instintos que acabamos nos desequilibrando psiquicamente. O homem moderno sofre com uma coleção de neuroses e ansiedades, pois ignora seus instintos e promove apenas seus planos e ideais conscientes.
    Nossos instintos muitas vezes se manifestam de modo inconsciente. Nossos sonhos (janelas para nosso inconsciente) em geral mostram que queremos caminhar na direção contrária àquela definida conscientemente, ou ainda que desejamos coisas proibidas aos nossos valores. Esses conteúdos devem ser ouvidos e considerados para que se possa viver de modo mais equilibrado psicologicamente, sem tantas angústias e ansiedades.

    5) Como Jung desenvolveu o conceito do masculino arquetípico? Em que medida esse arquétipo proporciona equilíbrio psíquico?
    Em sua imensa experiência empírica de trabalho, Jung notou que determinados símbolos eram produtos espontâneos do inconsciente. Ele os denominou de arquétipos do inconsciente. Podemos citar como exemplo o arquétipo do herói e o da grande mãe, mas não há limites para essa lista. O masculino arquetípico pode ser tipicamente reconhecido pelas características de assertividade, competitividade e também a valorização da abordagem racional do mundo.
    Um homem possuído por sua anima (sua contrapartida feminina inconsciente), outro arquétipo, precisará retomar o contato com o arquétipo masculino para alcançar o equilíbrio psíquico. Esse contato poderá livrá-lo (dependendo do caso) de uma insegurança constante ou de uma passividade excessiva.

    6) Como reconhecer um homem que já atingiu esse equilíbrio?
    Não sei. Acho arriscado buscar essa evidência em outra pessoa. Esse equilíbrio pode ser verificado apenas individualmente, de acordo com as demandas do inconsciente de cada um. A referência indicativa do equilíbrio está na saúde psíquica de cada homem e não necessariamente em alguma característica externa.

    Em maio, o prof. Marcelo Jordão estará de volta na Palas Athena para ministrar um curso exclusivo para mulheres:
    Parceria sem subjugação: conhecendo a psicologia masculina na visão de Carl Jung
    10 a 31 de maio de 2016, terças-feiras, 19h30 a 21h30

    Saiba mais: http://goo.gl/9uwUMh
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  • O Rescaldo do Tsunami Japonês

    Denise Ribeiro - Palas Athena


     

    Nada naquela manhã de sexta-feira, 11 de março de 2011, dava pistas da tragédia que em poucas horas se abateria sobre o povo japonês. Passava das 2h da tarde quando um violento terremoto (9 graus de magnitude) atingiu o fundo do Oceano Pacífico, próximo da costa noroeste do Japão. Menos de uma hora depois, uma onda de 23 metros de altura inundou a região de Tohoku, arrasando com tudo o que encontrava em seu caminho. E provocando um perigoso acidente nuclear em Fukushima, que é considerado o pior do gênero desde Chernobyl (Ucrânia), ocorrido em 1986.

    O avassalador tsunami deixou o mundo consternado, além de um saldo de 19 mil mortos e desaparecidos. Até 2013, mergulhadores continuavam procurando corpos no fundo do mar. Fora as vítimas fatais, outras 2 mil pessoas morreram em decorrência de problemas causados pelos impactos indiretos do tsunami. Dois anos após a tragédia, 315 mil pessoas ainda viviam em alojamentos temporários. Além dos desafios da reconstrução, os japoneses têm aprendido a conviver, nos últimos cinco anos, com a dor profunda dos sobreviventes.

    Em 2015, a professora brasileira Helena Kobayashi esteve em Fukushima, com o propósito de trabalhar como voluntária, dando aulas de Yoga para os moradores da região. Dessa forma, teve a oportunidade de ouvir a narrativa de pessoas afetadas emocionalmente pela tragédia. Essa rica experiência ela irá relatar na palestra Tsunami: caminhando com o medo, que será ministrado na Palas Athena no dia 29 de abril.
    Durante sua estada no Japão, ela verificou que a reconstrução acontece a pleno vapor. E ficou impressionada com a calma das pessoas que vivem nas áreas atingidas pelo terremoto e a determinação em retomar seu ritmo de vida, quando isso era possível. “Pelo que senti, externamente o japonês não é de demonstrar se está ou não abalado”, conta. No entanto, o fato de estar na cidade como voluntária fez com que algumas pessoas se aproximassem com a disposição de abrir o coração para ela.

    Entre as histórias que a professora ouviu há relatos de altruísmo, como a da mulher que perdeu o marido quando ele, após o terremoto, foi buscar o chefe que tinha ficado na empresa. O tsunami o pegou de surpresa no meio do trajeto. “Fica então no ar a sensação de que ‘se ele não tivesse ido....’ ". Outra moça chorou, dizendo que lhe faltam forças para avançar. “Nós conversamos. E eu também me senti meio impotente: como ajudar pessoas à distância?”, pergunta-se Helena. Há ainda a difícil convivência com a radiação, espalhada por algumas partes do nordeste japonês, regiões onde não se permite o trânsito das pessoas.
    Helena cita o monge budista Genyu Sokyu, que escreveu um livro sobre os impactos do tsnunami: “Ele relata que muita gente ainda aguarda pessoas queridas retornarem, desejando que tenham sido arrastadas para alguma praia, e que estejam desmemoriadas sob os cuidados de alguma alma bondosa”. A professora conta a história de uma mulher, que a vida inteira vinha trabalhando em ritmo alucinado ¬– fato comum entre os japoneses – na indústria da pesca, com aquelas redes de criação: “O desastre simplesmente brecou esse ritmo e, um dia depois do ocorrido, ela teve finalmente a oportunidade de refletir: e agora, o que faço com a minha vida? Ela me disse que, de certo modo agradece pelo fato de tudo ter acontecido, embora infelizmente muitas vidas tenham se perdido”.

    De um modo geral, dentro do aspecto que vivenciou como professora de Yoga, ela acredita que pode estar havendo um aprofundamento do sentido espiritual da vida, nas regiões atingidas, talvez pelo fato de terem de lidar com a morte de uma maneira direta. Entre os exemplos de garra e honradez dos sobreviventes, Helena conta a história de um grupo de meninas que trabalhava num pequeno restaurante, cujo dono se suicidou depois da tragédia: “Elas corajosamente retomaram o restaurante nos moldes que lhes foram ensinados pelo antigo dono”.

    Será que os sobreviventes ainda estão abalados pelo medo? Ela acha que não. “Acredito que o maior problema nesse momento, em termos ‘mensuráveis’, é a radiação. Os japoneses trabalham com dados. Medem a radiação em períodos regulares e repassam as informações para a população. Por outro lado, as pessoas se perguntam se estão divulgando os números corretos”, conta. Os vazamentos radiativos afetaram severamente a agricultura, a pesca e a pecuária e ainda impedem que milhares de pessoas que vivem perto da usina regressem às suas casas.

    Outro aspecto que divide a população é o muro enorme que se cogita construir ao longo da costa para tentar minimizar os impactos, caso outro tsunami de proporções semelhantes atinja o local. “Muitas pessoas são contra esse tipo de projeto. A vida delas provém do mar, das riquezas do mar. Você deixar de enxergar o mar seria já uma enorme perda”, diz Helena.

    Essas e outras experiências em território japonês, a professora compartilhará com os alunos que comparecerem à palestra TSUNAMI: CAMINHANDO COM O MEDO, na sede da Palas Athena em São Paulo. Instrutora de Yoga e também de atenção e concentração nas práticas meditativas, Helena Kobayashi tem doutorado e mestrado pela Yokohama National University, tendo completado 15 anos de vivência no Japão.


    Saiba mais:  TSUNAMI: CAMINHANDO COM O MEDO
    29 de abril de 2016, sexta-feira, 19h30 a 21h30
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  • Palas Athena realizada Caminhada Silenciosa

    André Gravatá e Palas Athena


     

    A Associação Palas Athena, com a cooperação da UNESCO e do Consulado Geral dos Estados Unidos da América, realizou no domingo, dia 10 de abril a "Caminha Silenciosa".

    Essa atividade foi inspirada pela Marcha de Washington, realizada em 1963, quando 200 mil pessoas foram às ruas e fortaleceram sua capacidade de sonhar  e integrou a programação da "13ª Semana Martin Luther King" . As Semanas em homenagem a King acontecem todos os anos no mês de abril, desde 2004, e têm o objetivo de disseminar o legado da experiência do líder pacifista, revelando sua continuidade e atualidade.

    A caminhada silenciosa partiu do Marco Zero na Praça da Sé, passou pela Prefeitura, Teatro Municipal e terminou na Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos.

    Confira o relato de André Gravatá, que coordenou a caminhada.

    A caminhada silenciosa partiu do Marco Zero na Praça da Sé, passou pela Prefeitura, Teatro Municipal e terminou na Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. Logo no início, conversamos sobre a importância do silêncio em tempos de tanta gritaria. O convite era que caminhássemos não só em silêncio verbal, deixando de falar, mas também cultivando o precioso silêncio mental.

    No final da caminhada, conversamos sobre o que cada um sentiu no trajeto. Nossa andança nos tornou mais porosos para a cidade. Observamos com olhos e ouvidos mais abertos a cidade que acordava em pleno domingo de manhã. Observamos e fomos observados. Entramos e saímos da caminhada acompanhados por estas palavras de Martin Luther King:

    "Não poderemos caminhar sozinhos.

    E, enquanto caminhamos, precisamos fazer a promessa de que caminharemos para frente. Não poderemos retroceder. Há quem esteja perguntando aos devotos dos direitos civis: Quando vocês ficarão satisfeitos?.

    Jamais estaremos satisfeitos enquanto o negro continuar sendo vítima dos desprezíveis horrores da brutalidade policial.

    Jamais estaremos satisfeitos enquanto nossos corpos, pesados da fadiga de viagem, não puderem hospedar-se nos hotéis de beira de estrada e nos hotéis das cidades.

    Não estaremos satisfeitos enquanto a mobilidade básica do negro for apenas de um gueto menor para um maior.

    Jamais estaremos satisfeitos enquanto nossas crianças tiverem suas individualidades e dignidades roubadas por cartazes que dizem exclusivo para brancos.

    Jamais estaremos satisfeitos enquanto um negro no Mississippi não puder votar e um negro em Nova York acreditar que não tem nada em que votar.

    Não, não estamos satisfeitos e só ficaremos satisfeitos quando a justiça rolar como água e a retidão correr como um rio poderoso".


    André Gravatá é jornalista e apaixonado por poesia. Coautor dos livros "Volta ao mundo em 13 escolas" e "Mistérios da Educação". É autor do livro de "Contos Sublime". Já colaborou para a Superinteressante, Vida Simples, revista Piauí, Planeta Sustentável, entre outras revistas e portais. Para provocar transformações do centro de São Paulo por meio da educação, criou, junto com amigos, o Movimento Entusiasmo (ME), que realiza a Virada Educação, um projeto que mobiliza escolas e territórios por todo o Brasil. Hoje desenvolve uma pesquisa intitulada "A Vida nas Cidades Educadoras" e espalha seus versos no jornal das miudezas.

    Palas Athena Palas Athena Palas Athena Palas Athena
    Leia também: 13ª. Semana Martin Luther King
    Lia Diskin fala sobre o jogo "Diário de Amanhã" e sobre Direitos Humanos
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  • 13ª. Semana Martin Luther King

    Por: Marcia Nascente e Sandra Godoy

     Que sonhos somos capazes de realizar juntos?

    Esta foi à questão que o líder dos direitos civis, o reverendo norte-americano Martin Luther King (1929-1968), deixou para o mundo, e que também permeou a "13ª. Semana Martin Luther King", realizada pela Associação Palas Athena, em parceria com o SESC e com a cooperação da UNESCO e do Consulado Geral dos Estados Unidos da América, no dia 5 de abril de 2016, no teatro do Sesc Vila Mariana, em São Paulo.

    Apresentado pelo ator João Signorelli, o evento teve na abertura a performance do coreógrafo, bailarino e arte-educador Rubens Oliveira Martins, denominada “Encontro com King”, criada especialmente para a ocasião, e bastante aplaudida pelos presentes. Em seguida, Mariângela Abbatepaulo, gerente do Sesc Vila Mariana, falou sobre a persistência do trabalho desenvolvido pela Palas Athena e sua co-fundadora Lia Diskin nas ações para não violência, em tempos de união de forças para o bem-estar comum. Ela comentou ainda sobre os desafios de mudança, que vão ao encontro da fraternidade da vizinhança global, na luta contra a intolerância, racismo e comportamento de segregação, conceitos tão distantes da democracia e da justiça.

    O psicoterapeuta e psicólogo Camilo Ghorayeb apresentou a seguir a mesa temática “A Psicologia das Ideias de Martin Luther King”, na qual discorreu sobre as condições da consciência humana, seus problemas mais centrais, que o líder parecia conhecer muito bem, e sua relação com nossos atos inconscientes, repetidos e automáticos, vistos como mais instintivos e reativos.

    Camilo explicou que a consciência individual “morde o próprio rabo”, sempre correndo grandes riscos de viciar-se em si-mesma, pois é só isso que consegue ver, passando de uma possibilidade de perceber algo novo, para uma visão repetitiva do mundo, automática, como apontado pela psicologia profunda de Freud e Jung. Esta parecia ser a consciência contra qual Martin Luther King lutava, usando a dor coletiva contra a injustiça social para criar um movimento em direção a uma nova consciência mais ampla, maleável, nova, menos automática e que percebesse o próprio erro para poder muda-lo.

    “A consciência tão estimulada por MLK, e que só poderia ter existido a partir de uma resistência não-violenta que revela, em seu âmago, um profundo pedido de reavaliação sobre uma organização social, coletiva, que já não cabe mais, tornou-se como é por inércia, repetindo-se, alimentando-se de si mesma. As novas condições de igualdade de direito humanos, respeitando às diferenças, com fraternidade e compaixão, portanto, só poderiam surgir se esta mesma se percebesse velha, no pior sentido da palavra. E MLK assumiu a tarefa de expô-la desta forma, fazendo um trabalho terapêutico com toda a nação e deixou um legado para o mundo, declarou.

    Ele ainda comparou a trajetória de Martin Luther King com a de Mahatma Gandhi, cujo despertar, em sua opinião, ocorreu de forma similar, “no apelo simbólico que envolve o serviço do transporte público coletivo, talvez pedindo uma movimentação social para algum outro lugar ou, talvez, ao menos, a necessidade de mais flexibilidade e liberdade imaginativa, de poder partir e chegar a mais lugares, ter mais destinos possíveis, menos paralisação mental, numa ética mais atual e condizente com a nova consciência,” explicou.

    Camilo apontou para este processo de mudança tendo, como primeiro passo, a desconstrução pra depois reconstrução. A ferida da falta de justiça precisava ser tocada, dramatizada, pois era, exatamente, a ferida da falta de consciência, mas MLK tinha que ter muito cuidado, e sabia disso, pois poderia gerar uma reação violenta e, então, o resultado seria o que Gandhi, em sua própria luta, havia antecipado “olho por olho, dente por dente e o mundo acabará cego”.

    Só a compaixão, que é mais que empatia, traria a força da terapia coletiva, no poder da fraternidade e traduzida por MLK pela palavra dream, imagem comum da retórica, no sonho americano. “ Foi a marca indelével que ele deixou e registrou no seu discurso Eu tenho um sonho: ‘O sonho de todas as raças poderem viver juntas como irmãos, em condições de igualdade’. E não apenas os cidadãos americanos mas, sobretudo, a humanidade”.

    Depois da apresentação de Camilo Ghorayeb, foi a vez de a professora-doutora Lígia Fonseca Ferreira, docente da UNIFESP e especialista em comunicação intercultural apresentar a mesa temática “Dois Sonhos de Liberdade e Igualdade: aproximações entre Luiz Gama e Martin Luther King”.

    Pesquisadora e escritora de biografia de Luiz Gama - um brasileiro negro abolicionista que fez muito pelo mesmo ideal do lider americano, mesmo tendo nascido quase 100 anos antes - Lígia contou que ele teve uma trajetória improvável como um ex-escravo, numa época em que ser negro era um estigma incapacitante de se tornar agente do seu destino.

    Ela explicou que Luiz Gama, assim como Luther King, teve o sonho de se tornar o farol da democracia. “Foi reconhecido como advogado efetivo, jurista, jornalista, líder, maçom e abolicionista, e também advogava de graça para causas abolicionistas”.

    De acordo com Lígia, tanto a ideia do abolicionismo como da república como valores universais, aproximaram ainda mais Martin Luther King e Luiz Gama, mesmo com a diferença de quase um século que os separava. “Assim como o reverendo, o abolicionista também mantinha a resiliência, a capacidade de sofrer revezes e a superação para retomar a auto-estima”.

    A professora ponderou: “Qual a condição de ser negro no mundo, atuando de modo não violento em sistemas de violência, com afinidades que precisam ser aprendidas na convivência?”. Nas aproximações, ela reiterou que ambos trabalharam pela unidade e falaram de amor e compaixão, que é o cimento de ligação entre os homens e entre os homens e divinos.

    Depois de questões endereçadas pela plateia aos palestrantes, a cantora moçambicana Lenna Bahule apresentou pocket show de seu disco "Nômade" e fez o público cantar juntos e se emocionar, ao final foi bastante aplaudida, assim como os dois intelectuais.

    No dia 10 de abril, domingo, uma caminhada silenciosa com reflexão sobre frases do líder pacifista saiu do Marco Zero, na Praça da Sé, no centro de São Paulo, encerrou a "13ª Semana Martin Luther King".

    Ela acontece todos os anos no mês de abril desde 2004, e tem o objetivo de disseminar o legado da experiência do líder pacifista, revelando sua continuidade e atualidade. No dia 4 de abril de 2016 se completaram 48 anos de sua morte. Apesar de terem se passado quase 50 anos, seu pensamento continua atual, como pode-se ver na sua frase: “Todos estamos atados numa teia inescapável de mutualidade, entrelaçados por um único tecido do destino. O que quer que atinja a um diretamente, atinge a todos indiretamente” .

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  • Lia Diskin fala sobre o jogo Diário do Amanhã e sobre Direitos Humanos

    Natália Freitas - Setor3


     Aos 65 anos e com uma longa trajetória de estudos e ações em temas como cultura de paz, meditação e educação, Lia Diskin mostra que não está tão perto de parar com suas contribuições para a sociedade. A jornalista e especialista em crítica literária é hoje presidente fundadora da Palas Athena, organização sem fins lucrativos que promove cursos, oficinas, palestras e vivências que visam o aprimoramento da convivência humana.

    No final de fevereiro, ela apresentou um dos projetos mais recentes dos quais participou em parceria com a área de tecnologias sociais e desenvolvimento humano do Senac São Paulo: o jogo Diário de Amanhã. Com linguagem didática e acessível, a ferramenta apresenta situações problemáticas de violência e propõe reflexões sobre possíveis saídas. Direcionada a estudantes, foi criada com o intuito de auxiliar educadores na abordagem da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

    Lia recebeu o Setor3 em sua sala na sede da Palas Athena e conversou sobre o jogo e o cenário atual para os direitos fundamentais no Brasil.

    Portal Setor3 – Por que ensinar direitos humanos para jovens?

    Lia Diskin – É muito difícil criar uma cidadania, ou seja, uma compreensão de que estamos dentro de um cenário coletivo no qual pessoas, grupos, entidades, partidos políticos, religiões, cada um tem sua necessidade. Como arbitrar essas demandas de uma maneira legal e legítima? Como você consegue, em um coletivo tão múltiplo, atender essa diversidade de maneira respeitosa e inclusiva? Penso que nós – e quando digo nós, estou falando do planeta inteiro, do momento contemporâneo – estamos nos dirigindo para a compreensão de uma cidadania multicultural, em que as diferenças não são apenas protegidas por lei, mas também legitimadas e respeitadas e, quando não, até promovidas. Quando você não tem esse tipo de base cognitiva desde a infância e juventude, via de regra os atropelos ou a submissão se sobressaem nos povos. São condições degradantes que aconteceram no passado e você perpetua esse passado naturalizando-o, quando é uma construção histórico-cultural que deve ser reparada nos casos de violação de direito.

    Portal Setor3 – E hoje a educação no Brasil abre espaço para essa discussão sobre os direitos humanos?

    LD - Acredito que ainda é muito novo e o que eu lastimo é que os direitos humanos são vistos como uma carta de intenções distante, na qual as pessoas sentem que não têm o que acrescentar, como contribuir e discutir. Os idosos, por exemplo, não sabem que têm o direito a ter um cuidado na saúde. Quando não há nenhum familiar que possa cuidar deles, o Estado é o responsável. Mesma coisa com as crianças, elas não reconhecem a si mesmas com direitos, ou se reconhecem com direitos muito atrelados ao interesse e ao gosto imediatos. Não, por exemplo, com o direito à educação, ao lazer, à cultura. Não é suficiente que haja programações nos teatros, cinemas e museus. Tem que existir acesso a isso. Então penso que ainda não temos uma educação para os direitos humanos. O tema não entrou na grade transversalmente – porque não é uma disciplina, tem que estar na dinâmica da construção democrática do dia a dia das escolas. Eu venho de uma época em que quando a gente tinha um comportamento indevido, era chamado pelo nome e colocado olhando a parede diante de toda a turma. E ficava 15, 20 minutos. Essa era a maneira de “educar”. Acreditava-se que provocando um vexame perante o coletivo, você se conteria no futuro porque “experimentou a dor” desse comportamento. Obviamente se chegou à conclusão de que essa disciplina acirrava a revolta. Hoje jamais um professor se permitiria fazer isso, porque seria considerado bullying. Então estamos avançando, sem dúvida temos muito mais sensibilidade do que tínhamos 20 ou 40 anos atrás.

    Portal Setor3 – Essa lógica punitiva presente na sociedade atrapalha a percepção das pessoas?

    LD - Infelizmente isso começa no seio da família. Quando uma criança faz uma traquinagem ou algo que afronta o pai ou a mãe, mandam-na dormir sem sobremesa. Ninguém se põe a pensar na associação que acontece na cabecinha dela. E a gente vai absorvendo esse comportamento de maneira totalmente irreflexiva. Quando adultos, repetimos isso em todos os outros cenários. De algum modo viemos de uma cultura em que se legitimava a violência dos poderosos, das autoridades, daquele que tem mais força e capacidade de ação, e isso foi permeando todas as nossas relações. Temos as violências simbólicas, as diretas com uso da força, as institucionais, as que vivemos diariamente nas grandes regiões urbanas. Os estados não conseguem atender as necessidades das populações. Quando você fala para uma jovem que está com um diagnóstico possível de câncer mamário e que a radiografia só vai poder ser feita em três meses, simplesmente você está exercendo uma violência absurda. Como ela vai viver três meses com medo de ter uma doença? Há 30 anos fazer uma radiografia de mama era uma raridade, hoje sabemos que é uma indicação profilática. Nos defrontamos com situações muito complexas em que uma população cada vez mais educada começa a perceber e demandar direitos para os quais o estado não está preparado para atender. E isso obviamente cria conflitos e animosidade.

    Portal Setor3 – E por que abordar os direitos humanos com um jogo?

    LD - Porque hoje é a grande linguagem. Temos que ser realistas. O texto , que logicamente tem uma belíssima redação, é escrito para adultos e com um vocabulário legal nem sempre cotidiano. Isso sem dúvida criaria mais distanciamento do que já existe. O jogo é a grande sacada. Sobretudo porque revela possibilidades de múltiplas reflexões. Nele, é preciso tomar cuidado para não tornar o processo competitivo. É um jogo com um convite reflexivo que vai ampliando as percepções do mundo e da história de cada um de nós.

    Portal Setor3 – Vocês se inspiraram em outra iniciativa já existente?

    LD - Eu tive experiência com jogos, mas não de direitos humanos. Sabemos que existem muitos trabalhos sobre o tema, sobretudo no Canadá, produções no sentido de disponibilizar de maneira facilitada os conceitos, as práticas e garantias, trabalhando o respeito à diversidade, integralidade e dignidade das pessoas. Mas não fomos em busca de alguma coisa para nos inspirar. Fomos atrás da própria declaração, a gente se debruçou com o professor George Barcat e, conceitualmente, ele e eu que criamos o roteiro. Como esse roteiro virou o jogo, foi o Senac que realizou isso com a Regina Paulinelli.

    Portal Setor3 – Existem alternativas para tratar o tema de maneira pacífica e didática com jovens que não seja o jogo?

    LD - Hoje se utiliza muito as rodas de diálogo em que as próprias pessoas, a partir de suas vivências, podem pensar em experiências concretas. É natural que a gente se sinta ofendido quando expulsado ou desrespeitado. Agora, ainda não adquirimos a competência coletiva para mostrar ao ofensor o dano que provocou. O que fazemos, via de regra? Alguém me ofende, eu ofendo. Alguém fala um palavrão, eu falo um palavrão mais estrondoso. Alguém faz um gesto obsceno, eu replico com três. Estamos muito na retaliação, no processo imitativo de comportamentos violentos. E veja que interessante: eu estou condenando esse ato porque o acho violento e desrespeitoso, mas utilizo exatamente os mesmos instrumentos para dar conta dele. É como estar doente e ainda criar condições para agravar a doença. É um processo infantil. Quando crianças, aprendemos por imitação, lógico, não temos outra maneira. Mas não levamos esse processo para a vida adulta. E achamos que isso é reparador, isso é o mais louco. Pelo contrário, essas atitudes agravam a situação. E o pior: o outro não tem a dimensão do desconforto que me provocou, do constrangimento a que me forçou, da humilhação à qual fui levada. Eu tenho que encontrar um modo de comunicar ao outro que estou ofendida, que estou me sentindo com baixa autoestima, que me senti desrespeitada. Eu preciso fazer esse sinal para o outro. O que vai fazer ele com isso, é dele, mas as possibilidades de reparar a situação são infinitamente maiores. Muitas vezes o outro sequer percebeu o que fez, ou fez porque estava estressado e tinha que descontar. Se pudermos falar dessas questões de maneira tranquila, de maneira madura, crescemos enormemente em civilidade, em convivência fecunda, rica e significativa. Penso que é o caminho. Existe outra experiência que é a da terapia comunitária, de um professor brasileiro do Ceará. Ele, como médico, percebeu que não era suficiente o atendimento do corpo, era muito mais urgente cuidar do estado emocional das pessoas. Então criou espaços de falas comunitárias entre as pessoas.

    Portal Setor3 – Nesses espaços elas falam sobre o quê?

    LD - Falam dos problemas concretos que têm. Ninguém dá conselhos. A escuta respeitosa e o acolhimento já se tornam uma cura. Nesse aspecto, Freud foi genial quando utilizou a palavra como meio de cura. Ele cria a psicanálise justamente porque entendeu que, a partir do momento que estamos falando e expondo a situação em que estamos engolidos, já vamos organizando a própria situação e até é possível que encontremos a saída. Somos filhos da linguagem. Nós, como humanos, temos a linguagem como construtora da nossa identidade. Veja que profundo é isso.

    Portal Setor3 – A linguagem então é uma ferramenta de convivência e de promoção de direitos?

    LD - Sem dúvida. Aquele que está coibido, seja por força da lei, dos sistemas autocráticos e ditatoriais, por conta do medo, ou aquele que está no silêncio, simplesmente não pode exercer sua humanidade.

    Portal Setor3 – Quando um educador se depara com uma situação de violação de direitos ente jovens, dentro de uma sala de aula ou de um grupo de educação, como ele deve lidar com isso?

    LD - A melhor maneira é sempre reunir as partes. Se foi algo muito grave, pedir para o ofendido que por favor verbalize o que está sentindo, para que o outro ouça. E a esse outro, perguntar: “Por que você fez isso? Quais foram as razões? Você está vendo as consequências de seus atos? ”. Algo muito importante é ensinar, desde criancinha, mesmo antes da alfabetização, que todos nossos atos têm consequências. E elas podem ser promotoras de vida ou inibidoras, benéficas ou maléficas. Como uma plantinha que a criança tem em casa e que assumiu a responsabilidade de cuidar. Se não é regada com a frequência necessária, é uma maneira evidente que a criança tem de ver que o descuido provoca consequências graves. É muito importante vincular desde pequenos que tudo que fazemos ou deixamos de fazer, permitindo por exemplo que um terceiro seja humilhado, cria consequências.

    Portal Setor3 –Qual é a maior dificuldade de promover os direitos humanos no Brasil atualmente?

    LD - Por um lado, uma visão extremamente conservadora, me atrevo a dizer até autoritária, de acreditar que os direitos humanos vieram para proteger o desvio de comportamento, dizer que vieram para proteger bandidos. É uma falta de conhecimento, de informação e de estudo sobre as dinâmicas sociais e sobre o próprio documento. Não posso impor o que é verdadeiro e significativo para mim para todas as partes, simplesmente porque não gostaria que fizessem isso comigo. É um princípio natural que viabiliza o convívio rico e saudável. Temos ainda, infelizmente, um grupo muito pouco instruído das verdadeiras consequências da Declaração Universal dos Direitos Humanos, das verdadeiras pautas que vão constituindo para facilitar a vida. Por outro lado, também temos uma diversidade de violências que não são construtoras nem desejáveis para ninguém. O fato de depredar objetos públicos como meio de expressão, por exemplo quebrar um ônibus, pichar monumentos, quebrar lixeiras da cidade ou telefones públicos, nada disso é instrumento eficiente para mostrar uma demanda, uma revolta. Com isso prejudico o usuário, aquela mesma população que estou querendo favorecer. A violência como meio de expressão não é eficiente, pelo contrário, nos faz regredir. Essas são as duas questões mais importantes. A violência nunca é uma linguagem reparadora, ela é sempre é violação de direitos. Ela visa a vingança. Uma geração mais nova já está começando a sacar isso. Eu me lembro muito bem nas manifestações de 2013 quando alguém queria colocar um cartaz ofensivo, a própria meninada já dizia: “não é para isso que viemos aqui”. Isso é muito bonito acontecendo espontaneamente. Me dá esperança de que novos mecanismos de comportamento estão começando a ser testados e implementados porque entendemos que os antigos já não dão conta da complexidade da sociedade contemporânea.

    Materia original disponivel em: http://goo.gl/48EzkB
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  • Game Diário de Amanhã Leva Gratuitamente Direitos Humanos para Sala de Aula

    Denise Ribeiro - Palas Athena


     

    Ensinar os jovens que todos nós temos direitos e deveres é uma missão que cabe a todos nós. Mas quando essa tarefa fica a cargo dos professores, é muito mais fácil apresentar o tema de maneira lúdica. Pensando nisso, o Senac lançou, no dia 23 de fevereiro, o jogo virtual "Diário de Amanhã".

    Trata-se de uma ferramenta inovadora para abordar em sala de aula de forma leve e criativa o que vai expresso na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Criado em ambiente digital para ser utilizado por educadores e outros interessados, esse game sobre direitos humanos foi desenvolvido pela área de tecnologias sociais e desenvolvimento humano do Senac-SP, em parceria com a Palas Athena, e conta com a cooperação da Unesco. A recomendação é que seja trabalhado com adolescentes e jovens.

    O jogo faz inicialmente uma breve contextualização histórica dos direitos humanos. A seguir, os alunos organizados em grupos escolhem o avatar que vai representa-los nas etapas seguintes, sendo a primeira um Quiz com questionamentos sobre a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

    A segunda etapa é uma sequência de 12 missões que apresentam manchetes de um jornal do futuro (por isso o nome "Diário de Amanhã"). As notícias tratam de violações de direitos humanos no cotidiano das pessoas, tanto no local em que vivem como no ambiente de trabalho ou mesmo no mundo virtual. Os alunos devem escolher uma opção que evite que a notícia vire um fato.

    Além da análise e da reflexão propostas sobre as situações apresentadas, o jogo estimula os participantes a se posicionar diante das violações e a colocar em prática o que vai expresso na Declaração Universal dos Direitos Humanos. O objetivo é conclamar os jogadores a encontrarem saídas e a não se calar frente às injustiças em questão.

    O desenvolvimento completo da atividade leva cerca de uma hora e meia e requer a formação de cinco equipes. O download do jogo é gratuito e está disponível em www.sp.senac.br/diariodeamanha e www.palasathena.org.br .

    Acesse: Jogo Virtual “Diário de Amanhã” http://www.palasathena.org.br/noticia_detalhe.php?noticia_id=184
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