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  • Star Wars – "O Poder do Mito"

    Denise Ribeiro - Palas Athena


     

    “Todos podem escolher entre ser heróis ou não, todos os dias da vida. Você pode ajudar alguém, ter compaixão, tratar todos com dignidade. Ou não. De uma forma, você pode ser o herói ou, de outra, você é parte do problema. A coisa não precisa ser tão grandiosa. Você não precisa entrar numa luta de sabres de luz ou viajar em espaçonaves para se tornar um herói. São as pequenas coisas que acontecem na sua vida que realmente importam”. A declaração é do cineasta George Lucas, diretor de "Star Wars" ("Guerra nas Estrelas"), numa longa entrevista dada ao jornalista americano Bill Moyers em 2007.

    Já faz quase 10 anos que essa conversa aconteceu, mas seu conteúdo é tão rico que não perdeu a atualidade. Principalmente agora, depois que a mais recente versão de "Star Wars" inflamou Hollywood novamente. Afinal, quem inspirou George Lucas a criar toda essa ficção mitológica?

    Segundo o próprio cineasta, o último mentor que ele teve na vida foi Joseph Campbell, que carinhosamente chamava de Joe: “Ele fez as perguntas mais interessantes, e foi quem me apresentou a muitas coisas que me interessaram. Despertaram muito mais o meu interesse nas perguntas cósmicas e nos mistérios. Eu sempre me interessei por isso, toda a minha vida, mas passei a dar uma maior atenção a elas quando conheci o Joe. Quando fiz "Guerra nas Estrelas", conscientemente comecei a recriar mitos e os temas mitológicos clássicos”, diz ele na mesma entrevista.

    Quem quiser conhecer mais a fundo as bases filosóficas de" Star Wars", basta ler "O Poder do Mito", de Joseph Campbell, lançado no Brasil há alguns anos pela Palas Athena Editora, que prepara uma nova edição do livro para maio. As conversas de George Lucas com Campbell ajudaram o cineasta a contar um mito antigo de uma nova maneira. Segundo ele, um dos temas principais do filme é fazer com que os organismos percebam que devem viver juntos para benefício mútuo: “Não apenas os humanos, mas todas as coisas vivas. Tudo na galáxia é parte de algo maior. É uma questão de aquietar a mente para ouvir a si mesmo. E como Joe diria: ‘Siga sua felicidade’ – É para seguir o seu talento, é uma forma de colocar isso. É como eu vejo. A coisa mais difícil para um jovem é decidir o que ele vai fazer da vida. Você nunca sabe o que fazer. Mas, se for atrás daquilo que você gosta... Eu não acho que as pessoas realmente gostam apenas de ganhar dinheiro. Elas gostam do que podem fazer depois de ganhá-lo. Mas não gostam do que têm que fazer para ganhá-lo. Se você puder mudar esse processo, se achar algo que realmente goste de fazer, então você achou o que te faz feliz”, diz Lucas.

    A entrevista completa em português está no site:
    http://artedartes.blogspot.com.br/2007/07/star-wars-e-o-poder-do-mito.html

    Veja também:
    Campbell examina a mitologia universal presente em "Star Wars" http://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/2015/06/1637411-campbell-examina-a-mitologia-universal-presente-em-star-wars.shtml A dimensão mítica de "Star Wars" - Com Camilo Ghorayeb http://www.palasathena.org.br/curso_detalhe.php?curso_id=540
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  • Seja um Digitador Voluntário de Nota Fiscal Paulista

    Priscila Fonseca - Palas Athena


    A Palas Athena é uma das organizações não governamentais autorizadas pela Secretaria da Fazenda a receber doações via ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços). Trata-se de imposto recolhido por estabelecimentos comerciais de diferentes gêneros, via nota fiscal. Para servir aos propósitos de doação, na nota fiscal não pode constar CPF do usuário do produto ou do serviço consumido.

    Sabendo disso, muitos amigos, alunos e simpatizantes da Palas Athena resolveram contribuir com a medida, juntando notas fiscais sem CPF para a instituição. O problema é que o volume de notas aumentou num ritmo maior do que nossa capacidade de cadastrá-las. A legislação estabelece que as notas fiscais de determinado mês sejam processadas até o dia 20 do mês subsequente. Do contrário, ela perde a validade para efeitos de doação.

    Para que possamos ganhar agilidade no cadastramento das notas, estamos lançando a campanha “Seja um digitador voluntário”. O objetivo é convidar pessoas interessadas em nos ajudar a digitar parte das notas que recebemos no prazo previsto em lei. Assim, não perderemos nenhuma das notas recebidas e, consequentemente, o benefício a elas atrelado. Com o valor repassado pela Secretaria da Fazenda, a Palas Athena poderá continuar a investir em projetos socioeducativos em parceria com dezenas de instituições e coletivos, com a Fundação Casa, a Rede Cultural Beija-Flor e a Secretaria Municipal de Saúde, entre outros. Poderá também dar continuidade a outros eventos importantes, como a realização das semanas "Martin Luther King", "Nelson Mandela" e "Mahatma Gandhi".

    Se você deseja ser um digitador voluntário ou conhece alguém que possa fazer isso, por favor entre em contato com a Palas Athena, falando com Priscila Fonseca (priscilafonseca@palasathena.org.br).
    O trabalho de digitação pode ser feito em casa.
    Saiba Mais
  • 13ª Semana Martin Luther King

    Palas Athena


     

    A Palas Athena, em parceria com o Sesc e com a cooperação da UNESCO e do Consulado Geral dos Estados Unidos da América, realiza na terça-feira, dia 5 de abril, às 19h, no Sesc Vila Mariana, a "13ª Semana Martin Luther King" abordando o tema central: Que Sonhos Somos Capazes de Realizar Juntos?

    O encontro contará com as mesas temáticas: "Compromisso e Integração - A Psicologia das Ideias de Martin Luther King" com o psicoterapeuta e psicólogo Camilo Ghorayeb e "Dois sonhos sublimes de liberdade e igualdade: aproximações entre Luiz Gama e Martin Luther King" com a docente da UNIFESP e especialista em comunicação intercultural Ligia F. Ferreira. A abertura fica a cargo do bailarino, coreógrafo e arte-educador Rubens Oliveira Martins, com a apresentação do solo "Encontro com King", e o encerramento com a cantora Lenna Bahule, apresentando um pocket show de seu disco "Nômade".

    As "Semanas Martin Luther King" acontecem todos os anos no mês de abril desde 2004, e têm o objetivo de disseminar o legado da experiência do líder pacifista, revelando sua continuidade e atualidade. No dia 04 de abril de 2016 se completam 48 anos da morte de Martin Luther King.

    Suas atitudes, propostas e ideias trazem suporte ao desafio de tornar visíveis as consequências negativas dos preconceitos, da discriminação, do racismo e de todos os comportamentos que, ao longo da história, naturalizaram a exclusão. A Palas Athena disponibiliza em seu site conteúdos para que as pessoas possam realizar atividades em seus espaços de convívio e comunidades durante todo o mês de abril. Acesse: http://www.palasathena.org.br/semana_mlk.php

    Dentre as atividades da Semana Martin Luther King haverá no domingo, dia 10/04, uma caminhada silenciosa com reflexão sobre frases de King, saindo às 10h do Marco Zero no centro de São Paulo (Praça da Sé).

    "13ª Semana Marting Luther King"

    Terça-feira, 5 de abril de 2016, às 19 horas
    Sesc Vila Mariana - Rua Pelotas, 141 – Vila Mariana, São Paulo (SP)
    Entrada franca.
    Retirada de ingressos nas bilheterias do Sesc no dia do evento, a partir das 14h.
    Limite de 2 ingressos por pessoa.
    Saiba Mais
  • Palas Athena Realiza Encontro Filosófico para Jovens

    Assessoria de Imprensa - Palas Athena


     

    Quem eu quero ser? Até onde vai minha liberdade? Por que sinto o que sinto? E o que eu faço com isso? No curso "Refrilosófico – Pensando a vida com jovens", Káritas Ribas, filósofa e psicanalista, oferece um espaço acolhedor para a conversa sobre questões que afetam o dia a dia e as escolhas de jovens e adolescentes.

    A proposta dos encontros é construir novas formas de pensar e trazer outras visões de mundo, o que inclui as ideias de grandes pensadores. Tudo de forma leve e divertida, sem a pretensão de ditar regras ou comportamentos. Desenvolvido para estimular o fazer coletivo, o Refrilosófico começa convidando os jovens a escolher quatro dos sete temas em discussão emprestados do universo musical: há desde Criolo (Os Bares Estão Cheios de Almas Tão Vazias) até Legião Urbana (O Que Você Vai Ser Quando Você Crescer?), passando por Anelis Assumpção (Marte a Sorte e a Morte, A Ciência Não Traduz).

    “Nossa proposta é abrir um espaço de diálogo. Pensaremos juntos sobre nossas escolhas e não escolhas. O que poderia determiná-las? Quem queremos ser? Todas as mudanças são possíveis? E essa fome de saber, o que faço com ela? Como é possível explicar o mundo?”, provoca a facilitadora Káritas Ribas. Fundadora do Instituto Appana e especialista no trabalho com grupos, ela também é consultora, professora universitária e autora de artigos científicos.

    Refrilosófico – Pensando a vida com jovens
    Data: de 5 a 14 de abril
    Horário: terças e quintas-feiras, das 15h às 17h.
    Inscrições: http://goo.gl/T0FaSX
    Saiba Mais
  • Nobel da Paz na campanha #somos livres pelo fim do trabalho escravo

    Priscila Fonseca - Palas Athena


    Em 28 de janeiro passado, Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, foi lançada a Campanha #somoslivres, uma parceria entre a Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae) e o Ministério Público do Trabalho (MPT). O evento contou com uma conferência do prêmio Nobel da Paz de 2014, o indiano Kailash Satyarthi, um dos líderes do movimento global contra o trabalho infantil e o trabalho escravo.

    Kailash Satyarthi partilhou com o público sua trajetória de lutas, iniciada quando um pai, desesperado porque sua filha seria aliciada pelo trabalho escravo, bateu em sua porta. Queria que ele escrevesse um texto sobre a violência que sua família estava sofrendo. Kailash respondeu que a gravidade da situação exigia mais que um texto e foi pessoalmente ajudar na libertação da jovem. Desde então, não parou de trabalhar para livrar crianças e jovens da escravidão, conseguindo libertar mais de 83 mil pessoas.

    Certo dia, quando tentava livrar uma família do regime escravo em um circo, ele foi agredido brutalmente. Um amigo, ao ver o vídeo da ação, perguntou como ele tinha coragem de realizar uma atividade tão perigosa desarmado. Praticante da cultura de paz, Kailash respondeu que não podia utilizar as mesmas ferramentas do opressor: “Se eles querem usar desses artifícios, serão responsáveis por suas escolhas”.
    Ele terminou sua fala contando a parábola do beija-flor, que ao ver a floresta pegar fogo saiu voando em direção às chamas levando água em seu bico. Então o leão lhe disse ser impossível apagar o fogo com um bico tão pequenino. O beija-Flor respondeu: “Por menor que seja o meu trabalho, eu vou fazer a minha parte”.

    A campanha espera conscientizar os brasileiros sobre o que é trabalho escravo e denunciar que, ainda hoje, muitos seres humanos são submetidos a jornadas de trabalho exaustivas em ambientes insalubres, com péssimas condições de higiene, entre outras atrocidades.

    Saiba mais sobre a campanha e o trabalho de Kailash nos links abaixo:
    http://satyarthi.org/
    http://reporterbrasil.org.br/2015/12/pais-sabe-que-escraviza-mas-nao-a-gravidade-do-problema-diz-pesquisa-ipsos/

    Saiba Mais
  • Objeção de consciência- uma maneira (pacifica e humilde) de mudar o mundo – Chico Whitaker

    Chico Whitaker


     

    “Seja a mudança que você quer para o mundo” – Gandhi

    Aprendi muito em minha passagem como vereador pela Câmara Municipal de São Paulo nos anos 90. Da compreensão mais clara da função do Poder Legislativo e das distorções das suas relações com o Executivo à constatação das minhas limitações pessoais para a vida partidária e para a luta por subir na pirâmide do poder político.

    Outro aprendizado me foi proporcionado pela experiência de relatar e depois presidir Comissões Parlamentares de Inquérito sobre corrupção dentro da Câmara: funcionários técnicos honestos davam encaminhamento burocrático a processos com irregularidades; bons advogados colocavam seus conhecimentos a serviço da impunidade de criminosos, pelo princípio do direito de todos à defesa. Isto tornava essas pessoas cúmplices eficazes da corrupção e eu não via como evitá-lo.

    Esse sentimento de impotência muitas vezes nos imobiliza. Como hoje frente à evolução das coisas no Brasil e no mundo. Mas talvez um modo de agir usado contra a guerra há muito tempo – a objeção de consciência – possa abrir pistas de ação.

    No final da primeira Guerra Mundial movimentos pacifistas, de não violência, propunham ações coletivas de desobediência civil[1]. Quem as colocou mais em evidência, já depois da segunda Guerra Mundial, foram os jovens norte-americanos que se recusavam a ir para o Vietnam por “objeção de consciência”. A consciência do que era e significava essa guerra os impedia de participar.

    Obviamente isto infringia a lei e eles eram presos, processados e condenados. Muitos preferiam fugir para o Canadá, que os acolhia. Mas o número de “objetores” cresceu o suficiente para influir na opinião pública, que levou a guerra do Vietnam a acabar.

    A segunda guerra mundial foi diferente da primeira pelo desenvolvimento da tecnologia de destruição, comandado pelo complexo industrial-militar, na expressão usada por Eisenhower quando deixou o governo do seu país. Passou-se da bárbara guerra de trincheiras a barbáries como a do genocídio com bombas atômicas. Um relato do que foi essa loucura, em Hiroshima, pode ser visto em artigo da Revista de Estudos Avançados da USP.[2]

    Já a terceira, que dizem que já começou, difere das duas primeiras ao tornar todo o planeta um cruento campo de batalha. Como as guerras anteriores, a atual vitima tanto soldados como crianças e mulheres, assim como adultos sem uniforme militar. Mas a destruição maciça de vidas se faz por bombardeios e enfrentamentos entre exércitos, mas também inesperadamente por iniciativa quase autônoma de alguns poucos indivíduos, e mesmo de combatentes isolados ou suicidas, em qualquer lugar do mundo. E até agora ninguém viu muito bem como esse processo poderá ser bloqueado.

    Esse quadro não deixa de ser assustador. O Brasil e a América Latina têm sido poupados da onda mortífera que está se espalhando. Mas conseguiremos ficar livres dela, por obra de algum milagroso tratado internacional, como os muitos que pretenderam civilizar as guerras, proibindo por exemplo que sejam atacadas ambulâncias brancas pintadas com uma cruz vermelha, ou obrigando que seja respeitada a vida e a dignidade dos prisioneiros de guerra? Na verdade são contraditórios à lógica da guerra…

    Quase só nos resta sonhar com algo impossível: o surgimento – por obra e graça de uma grande elevação do nível da consciência das pessoas sobre a loucura da guerra e sobre os reais interesses que as provocam – de tantos objetores que as guerras se tornassem impossíveis, por falta de soldados… Nesse sonho os pilotos à distância de drones armados para substituir os soldados se recusariam a disparar, os mercenários necessários para “ocupar o terreno” parariam por falta de retaguarda, as próprias armas começariam a faltar, por objeção de consciência dos trabalhadores convocados para fabricá-las. Mas como impedir a ação de combatentes mobilizados por convicções religiosas, como os capazes, hoje, de crueldades filmadas para ampla difusão e estranha propaganda?

    Temos portanto que deixar de lado esse sonho. Até porque há algo ainda mais aterrador que permanece no horizonte: que essa terceira guerra mundial leve ao apocalipse nuclear. Para que ele ocorra bastará disparar uma das incontáveis ogivas nucleares estocadas ou carregadas em permanência por aviões e submarinos, que nem sabemos por onde estão transitando, e o horror tomará conta da Terra, pelo desencadeamento instantâneo das ações-reações… Esperemos em todo o caso que nenhum dos que dirigem as estruturas políticas do mundo resolva ir mais longe do que testar bombas atômicas para afirmar seu poder, dando razão ao psiquiatra polonês Lobaczewski, que criou a Ponerologia, como estudo do Mal no Poder – no governo e na sociedade em geral – quando ele é assumido por psicopatas… [3]

    Nesse quadro, parece estar fora de nosso alcance parar as guerras. [4]. O que precisamos mesmo é de um Deus pacificador… Mas não podemos ficar imobilizados esperando o pior. Temos que cuidar das atividades que continuam por nossa conta, enquanto sobrevivermos à violência… E é nessa perspectiva que a objeção de consciência se apresenta como uma possibilidade de ação.

    Na verdade ela é uma variante da greve, como forma de recusar o que nos é imposto. Os operários das fábricas no início da revolução industrial descobriram que, cruzando os braços, as fábricas paravam. Ou seja, eles viram que tinham muito mais poder do que parecia. Sem contar com o trabalho obediente de seus operários os patrões não podiam mais fabricar os produtos com os quais obtinham os lucros que buscavam. Através de greves se conseguia conquistar direitos e melhores condições de trabalho, baixar o nível da exploração, obrigar patrões e governos a respeitar os trabalhadores.

    Nos dias de hoje a automação das fabricas, povoadas mais de robôs do que de gente, diminuiu esse poder dos operários. Mas os que fazem os robôs funcionarem tem ainda mais poder que os trabalhadores do começo da revolução industrial. Se um ou dois operadores de computadores cruzarem os braços – ou fecharem as mãos – podem parar toda a fábrica.

    Essa descoberta desvenda o poder que temos todos como cidadãos. Somos nós que mantemos, com a nossa infinidade de tipos de trabalho, não somente maquinas, mas toda a sociedade funcionando. Por isso mesmo os trabalhadores em geral conseguiram que o direito de greve se ampliasse para todas as áreas de atividade humana.

    Mas as greves que conhecemos só obtém resultados quando uma efetiva maioria de trabalhadores decide declará-la. E nem sempre isto é possível, porque os que dominam dispõem de meios para enfraquecer apoios. Um grevista sozinho é despedido com base na lei…

    A objeção de consciência é um tipo de greve que pode ser declarada individualmente. Se uma única pessoa se recusar a participar de uma determinada atividade por objeção de consciência – por exemplo porque considera que não é ético roubar dinheiro público, ou envenenar alimentos, ou enganar eleitores ou consumidores – ela cria pelo menos um problema jurídico para quem a emprega. E recusar-se a fazer algo para não se tornar cumplice de coisas que prejudicam a todos é tão inusitado que pode chegar mais facilmente a ser notícia…

    Uns poucos que ousassem recusar-se a alguma coisa por essa razão já poderiam causar estragos no poder dos que querem manter tudo como está. Como o exemplo bem sucedido contamina, ele poderá tocar a consciência dos outros e se espalhar, diante do que se considera errado, que não devia acontecer, que não devia ser feito.

    É bem evidente que a objeção de consciência não pode ser declarada por pessoas isoladas. Cada decisão desse tipo não pode deixar de ser pessoal, pelas suas consequências para o objetor. Mas ela só é realmente possível se estiver apoiada na solidariedade. Nos diferentes tipos de fragilidade de cada um de nós, na impotência e no medo que podemos sentir, só embarcaríamos nessa – ou começaríamos a embarcar – se nos tornássemos objetores apoiados por outros ou juntamente com outros. E precisaríamos ajuda psicológica, política e jurídica, e mesmo reencontrar emprego. E também apoios financeiros, como nos Fundos de Greve que os operários organizavam quando decidiam cruzar os braços. Mais ainda, teríamos que ampliar, onde já exista, a legislação que crie e assegure o direito à objeção de consciência, como se garantiu o direito de greve.

    Nós hoje nos indignamos (“Indignai-vos”, escreveu um respeitado cidadão-ativo francês[5]) frente a situações e ações com as quais não concordamos, que consideramos antiéticas, ruins para nós e para todos, onde a lógica econômica e política prevalece até sobre o mais evidente bom senso.

    O que nos impede de dar um passo a mais para tornar eficaz nossa indignação, usando o poder que temos de recusar, resistir, desobedecer, em nossas próprias atividades? Por uma exigência de consciência, divulgando ao máximo o motivo de nossa atitude… No jornalismo, no direito, na medicina, na publicidade e na comunicação, na polícia e na segurança, no uso de nossas poupanças, na administração pública, no partido e na atividade política, etc. etc. e mesmo frente à lei que nos é imposta por representantes que foram eleitos mas “não nos representam”, como disseram os “indignados” espanhóis.

    Por objeção de consciência as pessoas podem se negar a colocar sua inteligência e seus conhecimentos a serviço de atividades condenáveis, do ponto de vista do respeito à vida dos seres humanos e à própria natureza. Um estudo publicado nos Estados Unidos em 2010 – “Os mercadores da dúvida” [6] – mostra que o inaceitável acontece: há cientistas pagos para semear dúvidas e com isso garantir a continuidade de bons negócios, como sobre o caráter cancerígeno do tabaco e até há pouco sobre a responsabilidade das atividades humanas no aquecimento global…

    Poderíamos enfrentar até o consumismo exacerbado que exige que a máquina de produção mundial funcione a todo vapor, e leva a um enorme desperdício de recursos. Muita gente deixaria de comprar coisas supérfluas, por objeção de consciência, quando tomasse consciência de ter sido transformada em cúmplice do mecanismo de busca insaciável de lucro da economia de mercado.

    No Brasil vem ganhando apoio a ideia de que superaremos nosso sentimento de impotência se formos para a rua protestar. De fato as coisas só mudam com pressão de baixo para cima. A repressão e a tortura durante os muitos anos da ditadura atingiram seus objetivos: atemorizaram e emudeceram as pessoas. Mas cada vez mais gente está criando coragem e considera que as coisas mudarão se milhares ou dezenas de milhares vierem para a rua demonstrar seu descontentamento. Manifestações como as de junho de 2013 se repetem em menor proporção mas com muito mais frequência. Surgem muitos novos movimentos, com financiamentos espúrios ou estimulados por organizações, partidos, lideranças. Mas nem os meios de comunicação comprometidos com um ou outro campo conseguem manter por muito tempo essas mobilizações.

    De fato elas podem até derrubar ditadores – como na Primavera Árabe. Mas nem sempre têm os resultados esperados. O descontentamento volta, com a incapacidade dos novos governos em resolver os problemas. E estes sempre contam com uma enormidade de recursos e de pessoas a seu serviço, profissionalmente, numa extensa e diversificada gama de ações, e conseguem calar os descontentes. Por seu lado os cidadãos não conseguem se manter permanentemente mobilizados. Cansam, e têm que trabalhar para ganhar a vida. Diminuindo a pressão das ruas, aumenta o sentimento de impotência, abrindo caminho para o desanimo e até a desesperança, que nunca são bons conselheiros.

    Buscamos então eficácia política. Mas na nossa cultura, pelo menos aqui no Brasil, consideramos que o caminho para isso é a criação de partidos. Mas eles já nascem com todas as distorções geradas pelo fato de se situarem na lógica da luta pelo poder- é o seu DNA. Não podem existir senão a partir da adesão de pessoas que já fazem parte do mundo da política ou aspiram a nele entrar, em geral fechadas à inovação ou à renovação de lideranças.

    É preciso continuar criando organizações. Só organizados conseguimos enfrentar um sistema político e econômico extremamente poderoso. Mas precisamos ir além dos partidos e dos movimentos que levam as pessoas às ruas. Seria o caso de criar um movimento político voltado especificamente para a disseminação do imperativo da objeção de consciência, como um modo pacifico e humilde de mudar o mundo? Diga-se de passagem que tais movimentos já existem, ainda que pequenos, pelo menos na Europa.

    Hoje já sabemos como construir organizações horizontais – em rede – que permitiriam a um movimento desse tipo se auto expandir infinitamente, inclusive até o nível mundial, por cima de todas as fronteiras. E contamos com tecnologias de intercomunicação horizontal livre em que se torna possível a ajuda e o estimulo mútuos e a multiplicação de adesões e apoios, assim como a difusão instantânea de notícias sobre vitorias – essenciais para persistir – e derrotas, com as quais aprender e se precaver.

    Se o imperativo da objeção de consciência começasse a ser mais amplamente discutido e assumido pelos milhares de pessoas e organizações que já agem pela Terra afora para mudar o mundo, talvez pudéssemos avançar mais depressa. Poderia ser uma pequena revolução cultural, rumo a outros valores, frente à total dominação de nossas sociedades pelo dinheiro, principal instrumento da lógica capitalista individualista e competitiva. Não valeria a pena tentar?

    Chico Whitaker (janeiro de 2016, chicowf@uol.com.br)
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  • Reflexões da Profa. Dra. Rose Marie Inojosa

    Rose Marie Inojosa


     

    ENCONTRAR O OUTRO NO MEIO DA PONTE: essa necessidade expressa pelo escritor Amos Oz, em entrevista publicada no jornal O Estado, resume a negociação em situação de conflitos.

    É o mesmo mote do excelente filme "Diplomacia", de Volker Schöndorff, uma produção franco-alemã, em cartaz em São Paulo. É agosto de 1944. O exército aliado prepara a sua marcha em direção a Paris, ocupada pelos nazistas desde 1940. Dietrich von Cholitz, o general alemão que governa a cidade, tem ordens diretas de Hitler para a destruir. As pontes sobre o Sena, assim como o Louvre, a Notre Dame, a Torre Eiffel e outros monumentos, estão armadilhados com explosivos prontos a detonar. Raoul Nordling, cônsul sueco, encontra-se ali para tentar dissuadir o general de executar ordens insanas que levarão à morte milhares de inocentes e destruirão um patrimônio da humanidade.

    O filme é uma verdadeira aula de resistência pacífica e de negociação de conflitos.

    Grandes conflitos, do passado e do presente, como os do Oriente Médio, precisam de que nos encontremos no meio da ponte.

    Como também é o conflito que vivemos hoje no Brasil, multifacetado, que mistura corrupção, várias formas de violência, narcotráfico, desastres sociais e ambientais, desastre econômico, falta de perspectivas e, sobretudo, grande desilusão. Situação complexa que não se resolve com respostas simples.

    A desilusão está nos levando a impasses e ao florescimento de fanatismos – das chamadas esquerda e direita, o que quer que isso signifique atualmente. Provavelmente nada, além de velhas ideias do século passado.

    Amos Oz fala do fanatismo, que viveu na pele, no seu conflito pessoal em meio ao conflito entre judeus e palestinos. Do fanatismo “que se agrava e se torna violento em tempos de grande desespero, em locais de grande desilusão.” E defende que é preciso senso de humor e capacidade imaginativa para, de algum modo, realizar o encontro no meio da ponte, que significa o reconhecimento mútuo e a disposição de negociar.

    O diplomata sueco, numa situação extrema, consegue acionar, no filme, humor e imaginação, aproximando-se humanamente do general alemão, fazendo aflorar dúvidas que ele tinha contido na sua mente e no seu coração, dilemas humanos que procurava sufocar para cumprir seu papel oficial.

    É o que fazemos muitas vezes, sufocamos as dúvidas para defender uma ou outra ideia ou ação e, como fanáticos, fazemos calar os dilemas, que nos fazem humanos e que nos irmanam.

    Precisamos de humor e de imaginação para sair da armadilha em que estamos na sociedade brasileira, precisamos afastar o véu das certezas para poder enxergar uma nova perspectiva de futuro – do meio da ponte.
    Saiba Mais
  • Paz e Conflito - Dr. Luís Fernando Bravo de Barros
    O programa “Melhor e Mais” recebeu o Dr. Luís Fernando Bravo de Barros, professor da Palas Athena, para falar sobre Paz e Conflito.

    Confira:
    Bloco 1: https://www.youtube.com/watch?v=TdG-Djf_ICI
    Bloco 2: https://www.youtube.com/watch?v=1WDqtYwfGVU
    Bloco 3: https://www.youtube.com/watch?v=DFMY7p68Q-I
    Saiba Mais
  • Opções para um Grupo de Brasileiros virem ao Summer Peacebuilding Institute
    Dr. Howard Zehr ao retornar do Brasil nos trouxe a notícia de que haveria um grupo de indivíduos interessados nos cursos do Summer Peacebuilding Institute (SPI) e no programa STAR - Estratégias para Conscientização do Trauma e Resiliência. Porém, nem todos são fluentes em inglês e houve a discussão quanto à possibilidade de cursos especiais serem dados no SPI em português, ou no Brasil. Nós podemos trabalhar com o grupo e pensamos em algumas opções para adequar os cursos às habilidades linguísticas. As opções para o grupo incluem as propostas abaixo, mas estamos abertos a outras possibilidades também:

    Frequentar os cursos do SPI e/ou do programa STAR

    Opção 1: Um ou Múltiplos Cursos no SPI

    Se o grupo tiver 12 ou mais pessoas, poderiam ser criados uma série de cursos no SPI que poderiam tanto ser ensinados em português ou com tradução simultânea. Haveria custos extras para cobrir as despesas de tradução, ou o grupo poderia trazer seu próprio tradutor.
    As pessoas poderia vir fazer um curso ou uma série de cursos, tais como:
    • Fundamentos da JR
    • Processos Circulares
    • STAR


    Opção 2: Falantes de inglês vêm ao SPI com acompanhamento no Brasil

    Se não houver um número suficiente de participantes para terem seu próprio curso, ou cursos, aqueles que falam inglês poderiam vir e participar de um ou de vários cursos no SPI. Numa data futura, um acompanhamento poderia ser organizado com um profissional daqui indo ao Brasil para dar um treinamento, afim de incluir tanto falantes como não falantes da língua inglesa, usando-se tradução simultânea.

    (Observação: embora seja possível utilizer tradução simultânea no SPI, nunca fizemos antes e haveria custos adicionais por curso aos participantes, se os que não são fluentes em inglêss assim o desejarem)
    Treinamnetos fora do Instituto


    Opção 3: Programa STAR ou outros treinamentos no Brasil
    Realizar um treinamento em STAR no Brazil, em português, com tradução simultânea. O programa STAR poderia trabalhar antes de ir com um contato no Brasil, para que os materiais selecionados sejam traduzidos para a língua portuguesa.
    Treinamentos Híbridos: nos Estados Unidos e no Brasil


    Opção 4: treinamentos múltiplos nos EUA e no Brasil (semelhante à opção 2, mas com foco no programa STAR)
    Pensando-se em um horizonte de dois ou três anos, com foco na conscientização do trauma:
    • Participantes bilíngues poderiam vir até o SPI e participar do programa STAR I e STAR II (durante o primeiro ano);
    • Colaboração entre o contato brasileiro e CJP para traduzir Village STAR para falantes da língua portuguesa e ter um dos participantes bilíngues como co-facilitador do STAR (O profissional do STAR do CJP precisaria trabalhar com tradução simultânea) no Brasil ou como treinador em orientação/ orientado.
    Saiba Mais