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Em agosto, a professora Lia Diskin foi a convidada de honra do Comitê Estratégico de Gestão de Pessoas da Amcham (American Chamber of Commerce for Brazil, ), em São Paulo, onde falou sobre a importância da colaboração mútua para o convívio social. “Quando a ideia da competição e do mais forte prevalecem, não há como manter as estruturas de confiança em que a sociedade se baseia”. Segundo ela, a saída é cultivar valores como empatia, capacitação e respeito, acrescenta a palestrante.
Para a professora, sem a prática de regras legítimas de respeito e convívio, não há como estabelecer a confiança necessária para qualquer tipo de relacionamento. No caso das empresas, não adianta criarem um código de conduta formal, se os princípios forem ignorados. Lia citou o caso da Enron, a então maior empresa americana de energia, que teve sua falência decretada em 2001 depois que as autoridades descobriram uma série contínua de fraudes e práticas ilícitas, cujo o código de ética tinha 253 páginas e não serviu para nada.
"Sem ética, não há sobrevivência empresarial ou individual”, disse ela. É através do comportamento ético que mudanças estruturais serão possíveis. “A ética permite mudar a moral. Com ela, adquiro a capacidade de interpretar se os costumes existentes são saudáveis e atendem aos requisitos para manter uma vida civilizada”, comenta.
Para Lia, uma sociedade mais ética começa a ser feita a partir das pessoas. “As ações individuais trazem consequências profundas para a comunidade. Um não estudante que compra uma carteira de estudante só para pagar meia-entrada está prejudicando a comunidade. Se esse tipo de prática não for detectada e corrigida dentro da família, vai ajudar a criar um sistema corrosivo”, argumentou.
No dia 6 de outubro, o SESC Vila Mariana sediou parte das comemorações da 34ª Semana Gandhi, em São Paulo, que neste ano teve como tema “Seja a Mudança”. Desde 2007, quando as Nações Unidas declararam 2 de outubro o Dia Internacional da Não Violência em homenagem a Mahatma Gandhi, o mundo celebra a data lembrando dos feitos do líder pacifista. Ele é uma referência unânime na criação de métodos e disciplinas de transformação política e social sem o uso da violência – seja na ação ou no discurso. Gandhi promoveu uma das mais impressionantes revoluções das quais temos conhecimento - o processo de independência da Índia.
Essa experiência inspira movimentos ao redor do mundo, e é sobre a atualidade de Gandhi nos novos tempos que a Palas Athena, em parceria com o Sesc, a Embaixada e o Consulado Geral da Índia no Brasil, e com o apoio institucional da UNESCO, organizou a 34ª Semana Gandhi.
O encontro contou com a participação do embaixador da Índia no Brasil, Sunil Kumar Lal, na mesa “Leitura contemporânea do pensamento-ação de Gandhi”. Também debateram o tema a doutora em linguística Laura Patrícia Zuntini de Izarra, o médico e especialista em ética aplicada Felipe Alloza e o advogado e mediador de conflitos Luis Bravo. Na abertura e no encerramento do evento apresentaram-se a cantora indiana Ratnabali Adhikari e as professoras de danças clássicas Silvana Duarte, Gyaneshree Karahe e Iara Ananda Romano.
Em vários pontos da cidade, Gandhi foi reverenciado de diferentes maneiras. Na Capelo do Socorro, por exemplo as professoras Rai Assis e Rosana Rita Biazeto envolveram as crianças de uma escola em atividades como contação de história sobre a vida de Gandhi e construção de árvore de tsuro (a cegonha de origami, que significa boa sorte, saúde e felicidade e também simboliza a paz). O evento aconteceu no Centro de Educação Infantil Jardim Universitário, com o apoio da Secretaria Municipal de Educação e da Diretoria de Ensino de Capela do Socorro.
34ª Semana Gandhi - Sesc Vila MarianaAtividade das profas. Rai Assis e Rosana Rita Biazeto Centro de Educação Infantil Jardim Universitário
Toda a expertise, a filosofia e a competência didática da Palas Athena, que sempre interessaram as empresas com vontade de humanizar sua gestão, agora podem ser acessadas, de forma organizada, pela Palas Athena Educação e Desenvolvimento Organizacional. Esse núcleo concebe e realiza atividades e programas de Educação Corporativa e aprimoramento da Cultura e do Clima da Organização. Trata-se de um negócio social, que destina todo o superávit econômico gerado por suas atividades à sustentação e ampliação dos projetos assistenciais e socioeducativos da Palas Athena.
Os programas oferecidos se distribuem por três eixos: Ética e Cultura, Dinâmicas da Convivência (liderança é diálogo, mediação de conflitos, cooperação, resiliência, entre outros) e Pensar Fora da Caixa (método filosofia em ação, voltado ao desenvolvimento ou aprimoramento de conceitos e ideias sobre propósitos, atividades, processos, produtos ou serviços da organização).
Por meio de palestras, oficinas e programas de desenvolvimento, a Palas Athena Educação e Desenvolvimento Organizacional se propõe a ajudar empresas e instituições a alcançarem os seguintes objetivos: engajamento de stakeholders internos e externos; enraizamento cultural de valores, códigos de conduta e políticas corporativas; redes de criatividade, trabalho colaborativo e conhecimento; dinâmicas da convivência (habilidades e competências de relacionamento e diálogo) e ampliação de repertório para desenvolvimento de conceitos, ideias e visão de mundo.
Natura, SABESP, Furnas, Sesc, Sesi, Senac, AMCHAM (Câmera Americana de Comércio para o Brasil), Instituto Avon, Banco do Brasil e Associação Brasileira de Franchising são algumas das empresas e instituições parceiras da Palas Athena Educação e Desenvolvimento Organizacional.
Um novo olhar sobre como as mudanças na sociedade afetam o mundo dos negócios foi o que a professora Lia Diskin ofereceu à plateia da 15ª Convenção ABF do Franchising, que aconteceu no mês de outubro em Comandatuba, na Bahia.
A cofundadora da Palas Athena deu como exemplo dessas mudanças a democratização das relações, impulsionada pelas habilidades das novas gerações – uma criança ensinando o avô a baixar um aplicativo, citou. Ela também disse que precisamos estar atentos à “ilusão das competências multitarefas”, que nos leva a esquecer de que só somos capazes de manter o foco de interesse em uma coisa por vez.
A professora ainda discorreu sobre confusão entre identidade e visibilidade e diminuição do espaço privado: “Há menos paredes e mais compartilhamento pelos meios de comunicação”. Ela terminou falando de ética, transparência e confiabilidade. “Essa é a moeda que está faltando nos cofres”, afirmou. “Não se sustenta uma organização, uma empresa ou uma família sem pilares éticos muito claros”. Para ela, a ética é a chave com a qual podemos criar espaços de convivência saudáveis e gratificantes.
“O ser humano não é uma espécie acabada. Estamos participando do processo de humanização.” A frase é da argentina Lia Diskin, jornalista especialista em filosofia hindu e cofundadora da associação Palas Athena. Durante a 15a Convenção ABF do Franchising, em uma plenária mediada por Sandra Boccia, diretora de redação de Pequenas Empresas & Grandes Negócios, Lia destacou algumas mudanças que estão acontecendo na sociedade nos últimos anos. Essas alterações têm impacto direto na gestão de negócios – seja na liderança de equipes, seja no atendimento ao cliente ou até na relação entre franqueador e franqueado. Confira.
1. Democratização das relações. Contestações antes impensáveis agora são não somente possíveis mas também quase naturais. “Sou do tempo em que ninguém se atreveria a discutir uma nota dada pelo professor e que o seio familiar era iminentemente patriarcal”, afirma Lia. Hoje, há uma democratização dos vínculos, o que é benéfico, segundo ela. “A novas gerações têm habilidades e competências que as velhas não têm. Uma criança ensina o avô a baixar um aplicativo. As novas gerações detêm habilidades que não herdaram das antigas.”
2. Diminuição do espaço privado. Até alguns anos atrás, todos os executivos tinham escritórios individuais. Agora, há menos paredes, e o espaço do privado é menor. “As novas gerações partilham, pelos meios de comunicação, condições íntimas impensáveis 20 anos atrás”, diz Lia.
3. A ilusão das competências multitarefas. Com o estudo do cérebro, sabe-se hoje que não é possível estar em dois campos de ação ao mesmo tempo, diz Lia. As pessoas só conseguem manter o foco de interesse em uma coisa por vez. “O que conseguimos fazer é oscilar de uma tarefa para a outra. Mas o resultado será inferior a se a pessoa tivesse se dedicado a uma coisa só. Dividir o foco nos impede de ter rapidez para uma manobra urgente.”
4. Confusão entre identidade e visibilidade. “Hoje vivemos um momento de anonimato coletivo. Essa condição cria uma necessidade de identidade, que confundimos com visibilidade. Fazemos um esforço imenso para nos tornarmos visíveis”, afirma Lia. Em um atendimento de telemarketing, por exemplo, em que o consumidor é transferido de um atendente para outro, o cliente se sente invisível.
5. Clamor por ética, transparência e confiabilidade. “Essa é a moeda que está faltando nos cofres”, afirma Lia. A ética, diz a professora, é a chave com a qual podemos criar espaços de convivência saudáveis e gratificantes. “Não se sustenta uma organização, uma empresa ou uma família sem pilares éticos muito claros.”
O público que compareceu ao evento Encontros Inspiradores, no último dia 8 de outubro, no Senac Faustolo, em São Paulo, teve o privilégio de dialogar por cerca de uma hora com os pensadores Lia Diskin, Humberto Maturana e Ximena Dávila.
Sentados no centro de um grande círculo formado pelos participantes, os três responderam a várias perguntas da plateia. “Amar é a condição constitutiva do viver em geral”, explicou Maturana. “Nosso verdadeiro problema é que negamos o amor. Toda discriminação consiste na negação do amar, na negação da legitimidade do outro”, disse. “O amor é a síntese do desejo da convivência”, afirmou a professora Lia Diskin.
Para Maturana, a negação do amar é o maior sofrimento do ser humano. “O ver, o ser visto, o escutar e ser escutado se traduzem em ser amado. Quando uma pessoa diz ‘você já não me ama’, está dizendo que não está sendo ouvida, percebida”, ensina ele. “Se não somos amados ressecamos”, lembrou Ximena Dávila.
Segundo Humberto Maturana, a linguagem consiste num modo de convivência: "Ela funciona como coordenadora dos nossos sentires e fazeres, das nossas emoções. A linguagem não nos atrapalha, a não ser quando nos tornamos donos da verdade, quando queremos impor nossa visão política, religiosa", argumenta o biólogo chileno.
Ele explica que nossos ancestrais conheciam seu mundo, sabiam o que fazer. Quando surge a linguagem, aparecem as perguntas, o explicar e a discrepância das explicações. Então, a coerência espontânea do conviver passa a se confundir com o forjar, o mentir, o enganar.
Alguém da plateia pergunta: “Em que momento se deu o rompimento da humanidade com o amor?”. “Foi quando perdemos a coerência com o mundo natural”, responde Ximena. “Essa fratura psíquica veio com a misoginia, que muitas vezes se confunde com o machismo. É o ódio à mulher (partindo muitas vezes das próprias mulheres), mas também à Pacha Mama, que é a própria terra”, argumenta a professora, que junto com Maturana fundou a Escola Matríztica do Chile – onde desenvolveram o conceito de Biologia Cultural e onde se dedicam a investigar, estudar e desenvolver projetos orientados para um fazer ético, responsável e sustentável.
Com essa fratura psíquica, o amar espontâneo desaparece, cedendo lugar para a cultura da discriminação. “Todo sofrimento é de origem cultural. Que espaço temos para amar, para nos escutarmos para sermos legítimos uns com os outros?” provoca Ximena, convidando-nos a voltar ao “lugar sensorial e emocional” que emerge de nossa natureza interna.
“Somos frutos de uma história, mas só existe o presente. Vivemos imersos na linguagem, cada palavra gera um mundo, em entrelaçamento do sentir, das emoções. Conversar é dançar junto”, ensina ela. “Diálogo vem de logos, da razão, enquanto conversar significa dar voltas juntos, fazer juntos”, completa Maturana.
O “fazer juntos”, o cooperar nos convida a praticar a ética social. Para o biólogo chileno, a grande pergunta é ‘queremos conviver?’. Se a resposta for positiva, essa convivência deve ser pautada no respeito mútuo, na confiança, no conversar para resolver conflitos. “Somos os únicos seres vivos para os quais importam as consequências dos próprios atos. Não quero fazer aquilo que resulte negativo para mim e para os outros”, argumenta ele.
Para Ximena, amar é deixar que o outro apareça como legítimo, mas também é amar-se a si mesmo, com suas luzes, é um constante desapego das expectativas, é focar mais no processo do que no resultado.
“As expectativas nunca se cumprem. Nem as próprias nem as alheias. Quem não sabe disso entrega sua liberdade a uns e a outros”, defende Maturana. Antes da rodada de perguntas, os três professores fizeram uma rápida explanação de ideias. “O amar é um processo que faz com que eu me importe com o outro de verdade”, disse Ximena.
Em sua fala, a professora Lia Diskin ofereceu três conceitos essenciais para que a convivência seja pautada por princípios éticos: ubuntu, termo de origem africana, que significa generosidade, solidariedade e compaixão pelo outro, satyagraha – o princípio do “insistir na verdade” e da não-violência proposto por Gandhi – e mottainai, conceito japonês de repúdio ao desperdício, segundo o qual todos os objetos (animados e inanimados) merecem ser tratados com cuidado e sensatez. Praticar esse conceito requer aprender a respeitar e valorizar o ambiente, reciclando e reutilizando os recursos naturais o máximo possível.
“Mottainai significa não tirar a dignidade das coisas, não desperdiçar. Todas as coisas têm uma raiz, cuja árvore jamais vamos conhecer”, ensina Lia Diskin, que é cofundadora da Palas Athena. “A paz é verde, vai depender das florestas”, completa. O satyagraha ela relaciona ao “fazer as coisas com o coração, honestamente”, enquanto o ubuntu encerra o entendimento de que só podemos ser felizes quando todos o são. “Acho que esses três conceitos podem ser os mandamentos para o século 21”, sugere Lia Diskin.
O Encontros Inspiradores é uma realização do Projeto Cooperação, que tem como propósito reunir pessoas que se dedicam a inspirar e realizar ações que colaboram com a construção de um mundo melhor para todos(as), sem exceção.
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No livro Deusas: Os Mistérios do Divino Feminino, Joseph Campbell narra a evolução dessas divindades e sua trajetória da Antiga Europa do Neolítico até a Renascença. A obra foi lançada pela Palas Athena Editora no dia 19 de setembro.
Aclamado como a maior autoridade mundial no campo da mitologia, Campbell disponibilizou o conteúdo de suas palestras e oficinas realizadas em 14 anos como material para o livro. Coube à especialista Safron Rossi, professora universitária e curadora das coleções do Opus Archives (que reúne os manuscritos de Campbell e sua biblioteca pessoal), a tarefa de edição.
O livro reúne imagens e símbolos do feminino divino e trata das funções das deusas e de suas transformações ao longo desse percurso cultural e histórico. Campbell lança nova luz sobre temas clássicos e energias arquetípicas de transformação, iniciação e inspiração.
O lançamento contou com a palestra da Doutora em Educação e professora de Língua Portuguesa, Eliana Atihé, que trabalha com grupos de leitura e autoconhecimento formados por mulheres em busca de outras imagens do feminismo. Campbell é autor também de O Poder do Mito e O Herói de Mil Faces, dois dos raros best-sellers do mundo acadêmico.
Diante da necessidade de reparar danos gerados por um conflito, uma desavença ou um crime, qual o melhor caminho a tomar? Pelos princípios da Justiça Restaurativa, o melhor caminho está na decisão conjunta construída em encontros entre vítima e ofensor, em círculos de paz, em conferências familiares. No Encontro de Justiça Restaurativa e Saúde, que aconteceu na tarde de 18 de agosto na Palas Athena, foram apresentadas experiências que tentam harmonizar relacionamentos em ambientes como as universidades.
O juiz Egberto Penido, que preside a 1ª Vara da Infância e Juventude de São Paulo, lembrou a potência latente em todos os encontros e salientou alguns pontos em comum entre as duas disciplinas, como a ideia de cura (presente nos círculos de cura da Justiça Restaurativa) e a questão de equilíbrio e balanceamento que as duas áreas buscam alcançar.
João Salm, professor assistente do Departamento de Justiça Criminal da Governors State University, EUA, disse que tem vivenciado o poder das metodologias da Justiça Restaurativa para mediar conflitos dentro dos campi norte-americanos. Ana Bussu, da Universidade de Sassari, na Itália, falou sobre o Proyecto Buen Venir, no Equador, focado no bem-estar geral da comunidade para uma melhor aprendizagem. O projeto se distingue por se apoiar numa comunicação que visa relações saudáveis, resolução de conflitos, escuta empática, valorização do diferente e autonomia. Segundo ela, essa nova cultura deve ser implementada antes mesmo que os conflitos surjam, como se faz na medicina preventiva, que acaba atingindo muito mais pessoas do que a medicina curativa.