Live com Luís Bravo
no Youtube da Palas Athena
23ª Semana Martin Luther King
Quebrando o silêncio: um brado contra a cultura de guerra
Live com Luís Bravo
Exatamente um ano antes de seu assassinato, Martin Luther King enfatizou seu repúdio, pessoal e como líder do movimento por direitos civis, à Guerra do Vietnã, em meio ao envio do maior contingente militar dos EUA ao país do sudeste asiático.
Em coerência aos princípios elementares do movimento que, desde a década de 1950, lutava contra o racismo e pelo fim do regime de apartheid no sul estadunidense, Martin Luther King abriu sua fala, em 04 de abril de 1967, na Igreja Riverside em Nova York/NY, declarando: “Chega uma hora em que o silêncio se torna traição”.
Consternado pelas atrocidades perpetradas pelas forças armadas do seu país contra o povo vietnamita, mediante bombardeios massivos e o uso de napalm e agente laranja, e impactado por uma cobertura televisiva desde as linhas de frente, transmitindo os horrores da guerra, o reverendo não via outra opção a não ser honrar seu compromisso ético com a não-violência. Consciente do contexto de Guerra Fria, se preocupava com o risco real de uma hecatombe nuclear. Sensível à realidade da presença desproporcional de negros e homens periféricos nas linhas de frente, notou a perversa relação entre o funcionamento do Complexo Industrial Militar e a promoção do racismo e da desigualdade social, contra as quais dedicou sua vida de luta.
Ele sofreu retaliações, perdendo aliados políticos e apoio de movimentos populares. Foi rotulado comunista e inconfidente. Contudo, optou por não trair a humanidade, seus valores e seu coração. Quebrou o silêncio e reafirmou seu radicalismo contra a violência, em especial a abominável violência da guerra.
Agora, somos convocadas/os a quebrar nosso silêncio condescendente com as guerras que covardemente assassinam civis, mulheres e crianças, em campanhas militares ao redor do mundo, e pelas mãos do estado e de grupos armados no dia a dia das sociedades brasileira e latino americanas.
Que Martin Luther King, assim como as históricas lideranças no Brasil e América Latina, nos sirva de exemplo e nos inspire a coragem necessária para quebrarmos o silêncio e assumirmos nossa responsabilidade conjunta na Missão de abolição da guerra.
Essa atividade é gratuita.
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Atividade acessível – Tradução em Libras
Luís Bravo - Dedicado ao trabalho e pesquisa no âmbito dos Estudos de Paz e Transformação de Conflito, com foco em Justiça Restaurativa, transracionalidade, e não-violência. Educador e facilitador em processos circulares, mediação e práticas restaurativas. Possui experiência como advogado criminal desde 2003. Cofundador da consultoria Karutana e do Instituto Aburá, é formado em Justiça Restaurativa, Mediação de Conflitos, e Comunicação Não-Violenta. Mestrado de Estudos Avançados (MAS) em Paz e Transformação de Conflitos pela Swisspeace/Universidade de Basel, Suíça (2015); Mestrado (MA) em Paz, Desenvolvimento, Segurança e Transformação Internacional de Conflitos pela Cátedra de Estudos de Paz da UNESCO da Universidade de Innsbruck, Áustria (2017). Atua como articulador, facilitador e educador no Centro de Direitos Humanos e Educação Popular do Campo Limpo (CDHEP).

Esta iniciativa começou em 1999, quando um grupo de pessoas, movimentos e organizações sociais reuniu-se com a firme determinação de disseminar os 6 Princípios do Manifesto 2000 por uma Cultura de Paz e Não-violência, elaborado por laureados com o Prêmio Nobel da Paz em 1998, por ocasião das celebrações dos 50 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Foram angariados em torno de 500 mil compromissos ao Manifesto, em papel, sem que consigamos mensurar o quanto este esforço se desdobrou por meios eletrônicos. No Brasil, houve 14 milhões, e no mundo, cerca de 70 milhões de adesões aos 6 princípios do Manifesto 2000: Respeitar a vida, Rejeitar a violência, Ser generoso, Ouvir para compreender, Preservar o Planeta e Redescobrir a solidariedade. Nestes tempos tão voláteis, nos quais tudo chama a atenção e nada a retém, sem enraizamento e/ou extensão, o Comitê manteve fidelidade aos seus propósitos. Tornou-se referência quanto aos princípios e valores de uma Cultura de Paz, inspirou ações em todo o País desde o âmbito da sociedade civil até as esferas dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
Os 8 eixos da Declaração e Programa de Ação sobre uma Cultura de Paz da ONU/UNESCO são as diretrizes fundantes: Cultura de Paz através da Educação; Economia Sustentável e Desenvolvimento Social; Compromisso com Todos os Direitos Humanos; Equidade entre Gêneros; Participação Democrática; Compreensão – Tolerância – Solidariedade; Comunicação Participativa e Livre Fluxo de Informações e Conhecimento; e Paz e Segurança Internacional.
A gestação de uma Cultura de Paz é um fato. Ela atende à necessidade vital de renovação e inovação na forma de sentir, pensar e ver; de avaliar nossas prioridades frente à diversidade de horizontes e consolidar a autonomia nos cenários local e global, aliando o poder criativo do humano ao princípio da interdependência que sustenta a rede de vida.




