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Eu me abstenho de ceder às armadilhas dos modelos padronizados. É por isso que eu não pretendo apresentar aqui uma noção de pessoa que valha para toda África Negra, mas sim limitada às tradições malianas, e nomeadamente àquelas das etnias fula e bambara.
O que é a pessoa? Os Fula e os Bambara possuem dois termos próprios para designar a pessoa. São eles: a) neddo e neddaaku. b) maa et maaya. A primeira palavra de cada um desses quatro termos acima significa “pessoa” e a segunda“as pessoas da pessoa”. Por que “as pessoas”? A tradição ensina, com efeito, que há primeiro maa: pessoa receptáculo, e maaya: diversos aspectos de maa contidos na maa receptáculo. A expressão de língua bambara “maa ka maaya ka ca a yere kono” significa: “As pessoas da pessoa são múltiplas na pessoa”. A mesma ideia é encontrada entre os Fula. Eu cito a este propósito uma anedota que ilustra bem este fato: minha própria mãe, cada vez que desejava falar comigo, primeiro fazia vir minha mulher ou minha irmã, e lhes dizia: “Eu desejo falar com meu filho Amadou, mas eu gostaria, antes, saber qual dos Amadou que o habita está presente neste momento”. De imediato, podemos ver, então, que se trata de uma noção muito complexa, que comporta uma multiplicidade interior, de planos de existência diferentes ou sobrepostos, e uma dinâmica constante.
"História Geral da África - Metodologia e pré-história da Africa"
Está versão em português é fruto de uma parceria entre a presentação da Unesco no Brasil, a Secretaria de Educação Continuada, Anfabetização e Diversidade do Ministério da Educação do Brasil (Secad/MEC) e a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).
No sexagésimo aniversário da independência da República Democrática do Congo, dirijo-me a Vossa Excelência e ao povo congolês para expressar meus votos de total cordialidade. Este aniversário é a oportunidade de renovar nossos sentimentos de profunda amizade e de nos regozijar com a intensa cooperação que existe entre nossos dois países em tantos domínios e, principalmente, no domínio médico, que nos mobiliza neste período de pandemia. A crise sanitária nos atinge em meio a tantas outras preocupações. A cooperação privilegiada entre a Bélgica e o Congo é um meio de nos unirmos para enfrentá-la.
Para melhor reforçar nossos laços e desenvolver uma unidade ainda mais fecunda, é preciso falar de nossa longa história comum com toda verdade e com toda serenidade. Nossa história é feita não apenas de realizações comuns, mas também de dolorosos episódios. Na época do Estado independente do Congo foram cometidos atos de violência e crueldade, que ainda pesam em nossa memória coletiva.
O período colonial subsequente causou igualmente sofrimentos e humilhações. Empenho-me em expressar profundos pesares por essas feridas do passado cuja dor é hoje reavivada pelas discriminações ainda muito presentes em nossas sociedades. Continuarei a combater todas as formas de racismo. Apoio a reflexão que está sendo empreendida por nosso Parlamento a fim de que nossa memória seja definitivamente pacificada. Os desafios mundiais exigem que olhemos para o futuro com espírito de cooperação e respeito mútuo. O combate em prol da dignidade humana e do desenvolvimento sustentável requer a união de nossas forças. Esse é o objetivo que proponho para nossos dois países e para os continentes africano e europeu. Infelizmente, as circunstâncias atuais não permitem que eu viaje para seu belo país, que gostaria tanto de conhecer melhor. Espero que logo eu tenha a oportunidade de realizar essa viagem.